O que aconteceria se não sentíssemos dor?

Você já deve ter ouvido aquela célebre frase “No Pain, No Gain” que, em tradução literal, significa “Sem dor, Sem ganho”. Mas será que isso é realmente verdade?

Bem, a maioria de nós – com exceção, é claro, de quem sente algum “prazer” nisso – procura evitar a dor a todo e qualquer custo: seja tanto aquela dor emocional ou sobretudo a dor física, sendo exatamente esse o motivo pelo qual inventamos os analgésicos. Afinal, ninguém merece sentir uma incômoda dor de dentes, de cabeça ou de barriga, não é mesmo?

Mas… você já se imaginou como tudo seria se você simplesmente fosse imune à dor? Será que você se tornaria um Super-Homem ou uma Mulher-Maravilha, aumentando suas possibilidades de atuação no mundo? Ou será que uma humanidade inteira que não sentisse nada poderia ser um potencial perigo para si mesma?

O que, afinal, aconteceria se não sentíssemos dor?

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Muitas pessoas pensam que seria o máximo viver sem sentir a dor física, associando isso às exibições de luta livre ou habilidades extraordinárias de quebrar objetos à base da porrada. Porém, nem tudo é mil maravilhas.

Infelizmente existe um número considerável de pessoas nessa condição, chamada de  “insensibilidade congênita à dor”.

Essa condição foi primeiramente identificada em 1932 em um acidente envolvendo uma batida em que a pessoa em questão não sentiu um pingo de dor e não derramou uma lágrima sequer durante o ocorrido.

A partir de então começou-se a investigar mais sobre essa condição estranha, descobrindo-se que existiam muito mais pessoas com insensibilidade congênita à dor do que se imaginava.

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Bem… ser insensível à dor não significa vencer a morte, não é mesmo? Viver com esse problema é algo muito arriscado e certamente expõe a vida de uma pessoa a um risco muito grande.

Se você fosse uma dessas pessoas incapaz de sentir dor, primeiramente, enquanto bebê, seus pais agradeceriam por você ser uma criança que choraria bem pouco, mas logo viriam os problemas: ao crescer um pouquinho mais, em um primeiro contato com o mundo, o aprendizado e a autoconsciência seriam prejudicados, pois com tentativas e erros – e, claramente, com a dor como veículo de consciência – começamos a entender mais o mundo e evitar situações que nos ponham em risco.

Uma criança com insensibilidade congênita à dor possivelmente viveria de hospital em hospital, com braços, pernas, dedos e outros ossos quebrados e, muitas vezes sem sequer saber o motivo.

Essa “invencibilidade” certamente traria muitos prejuízos: apesar das vantagens – como não precisar de anestesia, por exemplo – dificilmente haveria uma noção sobre se algo errado estaria acontecendo com seu corpo.

A habilidade de sentir dor é crucial para nós seres humanos, pois é um mecanismo que o nosso corpo utiliza para avisar que algo não está indo bem. Inclusive, um laboratório canadense está estudando casos de insensibilidade congênita à dor, a fim de abranger ainda mais a pesquisa para também entender distúrbios neurológicos como a dor crônica, a título de exemplo, uma condição em que o indivíduo sempre está sentindo dores insuportáveis e debilitantes.

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Paradoxalmente, outras empresas se dedicam a desenvolver medicamentos que façam os pacientes com insensibilidade congênita à dor sentirem a dor, a fim de facilitar o diagnóstico de muitos problemas de saúde que acontecem simultaneamente, enquanto eles não sentem os sintomas.

Bem, em resumo: podemos nos lembrar de ficarmos felizes da próxima vez que sentimos aquela pontadinha na barriga que nos faz correr para o banheiro… afinal, você já imaginou como seria se você estivesse situação sem sequer sentir nada?

A dor é o mecanismo que nos faz evitar ameaças e perigos, nos propondo aprendizados para que evitemos os mesmos erros novamente ou sinalizando que algo não está em seu devido lugar.

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