O que acontece com nosso corpo na “zona da morte” do Everest?

Escalar o Monte Everest é o sonho de muitas pessoas que nutrem um estilo de vida aventureiro e desafiador. No entanto, não é uma tarefa assim tão fácil para a maioria dos que tentam esta façanha. Em maio deste ano, já haviam sido registradas 20 mortes entre alpinistas que tentavam escalar a maior montanha do mundo, e muito disso se dá ao fato de que cada vez mais as pessoas estão tentando chegar ao seu topo. O incentivo propagado por agências de turismo e “guias” autônomos faz com que muitos alpinistas amadores tentem a sorte no Himalaia.

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Mas por que muitas pessoas morrem quando tentam escalar o Himalaia?

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Um dos principais problemas enfrentados pelos alpinistas ao tentar escalar o Everest é a falta de ar. Nosso corpo não foi “projetado” para viver em pontos assim tão altos do nosso planeta. Ao passar dos 5 mil metros de altitude (lembrando que o Everest tem mais de 8 mil metros), a quantidade de oxigênio no ar cai drasticamente, fazendo com que seja praticamente impossível respirar de forma adequada. Essa queda abrupta na quantidade de oxigênio que fornecemos ao nosso corpo gera um aumento gigantesco nos batimentos cardíacos, podendo alcançar os 140 bpm – o que por sua vez facilita a ocorrência de ataques cardíacos. Em poucos minutos a grandes altitudes também começam a aparecer edemas pulmonares, fraqueza, tontura e muita, muita tosse.

É possível, no entanto, que certos indivíduos tenham maior facilidade em lidar com grandes altitudes.

O povo da etnia Xerpa, natural do Nepal, por exemplo, possui adaptações genéticas que lhe permite viver melhor na região do Himalaia. Não à toa, essas pessoas normalmente figuram entre os melhores alpinistas. Kami Rita Sherpa, por exemplo, já alcançou o topo do Everest 24 vezes durante os seus 50 anos de idade.

Quem não nasceu com essa genética, depende de treinamentos e ambientações aos climas mais pesados. É por isso que muitos alpinistas vão para o Himalaia muito tempo antes de começar de fato a escalada. Durante este período, enquanto se acostuma com o ambiente hostil, o corpo passa a produzir um número maior de glóbulos vermelhos – que possuem a função de levar oxigênio dos pulmões para todo o nosso corpo. O lado negativo disso é que, em muitos casos, o excesso de hemoglobina acaba engrossando o sangue, gerando líquido nos pulmões e aumentando a chance de um derrame.

Hipotermia e delírios.

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A falta de oxigenação adequada no nosso corpo afeta diretamente o funcionamento do cérebro, provocando delírios, ilusões e perda da noção de realidade. São muitos os relatos de alpinistas que perderam o senso de posicionamento quando estava escalando a montanha, e isso pode ser fatal.

O frio, obviamente, também é um dos grandes vilões daquelas que tentam superar seus limites na montanha. No verão, os termômetros raramente chegam aos 15º, o que ainda é suficiente para causar sérios riscos de congelamento e hipotermia.

Esses dois fatores, os delírios e o frio extremo, juntos, formam uma combinação fatal. Por conta da perda das funções cognitivas, a pessoa pode acabar optando por deitar-se, sentar-se e permanecer imóvel por muito tempo, seja por total falta de noção do que está fazendo ou mesmo por conta do cansaço. Isso, somado às temperaturas baixíssimas, pode levar o alpinista à morte por congelamento e hipotermia.

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