O mistério da doença causada pela queda de um meteorito no Peru

Desde que o meteorito de Carancas caiu no Peru, em 2007, os cientistas encontram dificuldades em entendê-lo completamente. Até o momento ninguém sabe explicar, por exemplo, como ele não se desintegrou completamente ao entrar na atmosfera da Terra, mas o pior de tudo foi a onda de doenças provocada pela queda do meteorito.

O meteorito atingiu o Peru em 15 de setembro de 2007, provocando uma cratera de 6 metros de profundidade. As autoridades levaram um certo tempo até conseguirem encontrar o meteorito (um condrito) já que o buraco gigantesco rapidamente se encheu de água. De acordo com as análises preliminares, ficou constatado que o meteorito pesava algo em torno de 12 toneladas. Pouco antes de atingir o solo, ele rasgou o céu em uma velocidade tão grande que chegou a provocar uma luz visível até mesmo para os residentes de Desaguadero, cidade localizada a 20km de Carancas.

Naturkundemuseum Berlin

Segundo análises de especialistas, o meteorito provavelmente percorreu algo em torno de 177 milhões de quilômetros até chegar na Terra, passando entre Marte e Júpiter a uma velocidade de 16 mil km/h.

“Esse meteoro entrou na Terra a uma velocidade de 3 quilômetros por segundo, explodiu, e se enterrou no solo”, disse Peter Schultz, professor de ciências geológicas que visitou o local da queda do meteorito depois do incidente.

Mas além desse pequeno mistério envolvendo a forma como o meteorito resistiu à entrada na atmosfera, há uma outra dúvida ainda maior: Por que a queda do meteorito causou tantas doenças nas localidades próximas?

Muitas dos curiosos que se aglomeraram no local da queda afirmaram perceber um forte odor de enxofre, liberado junto com a água que fervia dentro da cratera. Inadvertidos sobre os perigos, alguns até mesmo brincavam com as rochas resultantes da explosão. Algumas horas depois, muitos começaram a se sentir mal. Não demorou para que começassem a circular entre as pessoas os rumores de que as rochas da explosão eram tóxicas, ou até mesmo que estavam “amaldiçoadas”. Como resultado, os hospitais da região rapidamente ficaram superlotados.

“Muitas pessoas de Carancas ficaram doentes. Elas relatavam dores de cabeça, problemas nos olhos, pele irritada, náusea e vômitos”, disse Nestor Quispe, governante da municipalidade onde fica localizada a cidade de Carancas, em entrevista à BBC. “Eu acho que havia um tipo de temor psicológico na comunidade”.

Para alguns estudiosos, até mesmo superstições e crenças religiosas podem ter feito com que as pessoas apresentassem os sintomas. Para Maximiliano Trujillo, prefeito de Carancas na época, as doenças foram pelo menos parcialmente causada por um temor psicológico e pela superstição. Por isso ele realizou uma reunião com cerca de 800 pessoas para que elas pudessem ouvir as explicações de cientistas e especialistas sobre o assunto. No entanto, muitos seguiram acreditando que o meteorito era algum tipo de punição ou maldição dos deuses.

Como um medida de emergência, Trujillo precisou até mesmo convocar um dos últimos xamãs que restavam no vilarejo, para reailzar um ritual de sacrifício, na esperança de que dessa forma as pessoas acreditassem de uma vez por todas que a “maldição” havia ido embora. Os rituais envolveram, entre outras coisas, a morte de um filhote de lhama. Junto com as medidas “espirituais”, Trujillo ordenou que o local onde o artefato caiu fosse totalmente cercado, para evitar a aproximação de curiosos.

Posteriormente a ciência sugeriu que as doenças relacionadas ao meteorito provavelmente estavam relacionadas ao arsênico que havia penetrado as águas subterrâneas da cidade, vazando posteriormente como um gás.

De qualquer forma, em última instância, esse ainda é um grande exemplo de como o psicológico e as crenças pessoais podem afetar de forma direta a saúde de uma pessoa. [Wired, AIT]

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