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O “Juízo de Deus”: O método absurdo e cruel para detectar mentiras na Idade Média

Luciana Calogeras

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Apesar dos processos judiciais serem burocráticos hoje em dia, uma coisa é certa: você não iria querer passar por um problema se vivesse no século 9.

Hoje em dia os processos judiciais contam com uma série de relatos, testemunhas, provas, contraprovas, primeira, segunda instâncias, deferimento do juiz, e muitos outros. Aliás, antes de processar uma pessoa é necessário ter muito cuidado, pois a ausência de evidências pode até mesmo fazer o acusador sofrer um processo por danos morais.

Hoje os processos podem ser demorados e burocráticos, mas uma coisa é certeza: por mais que a justiça seja falha, certamente você não iria querer passar por nenhum problema entre os séculos 9 e 12, cujo princípio – aparentemente lógico para a época – era tão bizarro que qualquer um ficaria assustado: o de esperar o “Juízo de Deus”.

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Esse procedimento foi utilizado por mais de quatro séculos na Idade Média e foi considerado o método mais eficaz para resolver uma controvérsia judicial complicada, especialmente sem evidências ou testemunhas.

Ao contrário de outras épocas, em que o caminho da comunicação com a divindade era feito por oráculos, interpretação de sonhos, leitura de grãos ou sementes, o método do Julgamento de Deus consistia em provações diretas que pudessem atestar, na frente de todos, a culpa ou inocência do acusado.

Para isso, o acusado era obrigado a passar por testes de torturas horrendas, desde ser queimado a andar descaço em brasas segurando uma barra de ferro a temperaturas extremas, colocando a mão no fogo ou, ainda, mergulhando a mão ou o corpo em água fervente etc.

No final, se o réu conseguisse sair vivo ou com ferimentos leves, significava que “era uma resposta divina e que Deus havia impedido a punição”. Agora, se o acusado se ferisse além do limite significava que Deus não o teria ajudado.

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O pensamento religioso era dominante na Idade Média e acreditava-se que Deus governava todas as coisas, seja espiritual ou material. Tanto que eram os sacerdotes que aplicavam as punições, o que era considerado como uma representação tangível do divino, onde Deus iria mostrar a verdade.

Por essa razão, muitos assumiam seus crimes antes mesmo das torturas começarem: era melhor confessar seu crime e aceitar a tortura com resignação, do que negá-lo e não apenas levar a punição pelo crime, mas também mentir pra Deus.

Acreditava-se que se um inocente fosse injustiçado pelo sofrimento das torturas, Deus faria justiça e – de alguma forma – impediria que qualquer punição caísse sobre o acusado e provaria sua inocência a todos os presentes.

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Essa tradição parece arcaica para nós, porém não é um princípio completamente obsoleto: alguns governantes fazem alusão à providência e aos desígnios divinos para justificarem seus erros ou suas vontades.

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Luciana é profissional da área de tradução há mais de 15 anos, atuando também como professora de Inglês. Trabalha no Mistérios do Mundo desde 2016 como redatora e roteirista e em horas vagas é pesquisadora curiosa em diversas áreas do conhecimento.

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