O Facebook e sua nova ferramenta anti-liberdade de expressão

O Facebook anunciou recentemente a introdução de uma nova ferramenta que limita o alcance de todos os sites que não fazem parte da chamada “grande mídia”: o chamado  “click-gap”. De acordo com a rede social, o click-gap ajudará a proteger seus usuários de conteúdo de baixa qualidade.

Mas a nova mudança está na verdade criando um problema ainda maior, acabando com o mercado aberto de ideias que a plataforma já forneceu.

Embora a mudança possa reduzir o que o Facebook considera conteúdo de baixa qualidade, o resultado mais significativo provavelmente será dar às grandes mídias uma presença ainda maior no feed de notícias.

Se você está se perguntando o que é um click-gap, vamos explicar. A rede social inventou o termo, por isso nem tradução ele tem. Simplificando, o Facebook está tentando rebaixar sites em seu feed de notícias que estão obtendo desproporcionalmente mais cliques de dentro dele do que fora.

Por exemplo, se um site recebe uma grande parte de seu tráfego vindo de páginas do Facebook, mas obtém uma pequena quantia fora da rede social, o sinal de click-gap será acionado e fará com que a empresa penalize esse site.

A empresa explicou assim:

Esse novo sinal, o click-gap, se baseia no gráfico da Web, um “mapa” conceitual da Internet no qual domínios com vários links de entrada e de saída estão no centro do gráfico e domínios com menos links de entrada e de saída estão nas bordas. O Click-Gap procura domínios com um número desproporcional de cliques no Facebook em comparação com outras fontes. Isso pode ser um sinal de que o domínio está tendo sucesso no Feed de Notícias de uma maneira que não reflete a autoridade que ele criou fora dele e está produzindo conteúdo de baixa qualidade.

Certamente conteúdos de baixa qualidade podem desaparecer do feed com essa atualização.

Mas o sinal de click-gap causará problemas muito mais sérios do que resolve.

O sinal de click-gap é uma forma pura de anti-liberdade de expressão. Uma das vantagens de uma plataforma como o Facebook é que ela fornece um terreno fértil para diversas vozes serem ouvidas.  A plataforma dá – ou melhor, deu – vozes à formas de comunicação jovens, menores e menos estabelecidas, um lugar onde elas podiam ser ouvidas.

Não é mais assim. O Facebook está dizendo aos sites que, a menos que já tenham um grande público vindo de fora, eles não devem ir ao Facebook em busca de ajuda. E o que muitos entendem como “plataforma gratuita” na verdade nem é. Para obter um público tão grande (nossa página possui mais de 8 milhões de seguidores) nós investimos muito em publicidade, o que torna as coisas mais injustas ainda.

Aqui está uma pergunta para você, Sr. Zuckerberg: Quem já tem um público estabelecido fora das redes sociais? Quais sites já possuem milhares e milhares de outros sites com links para eles? Ah sim. É a mídia principal. É o G1, Estadão, UOL, Veja, entre outros.

A publicação que você está lendo atualmente, do Mistérios do Mundo, cresceu até o tamanho atual no ambiente de liberdade que o Facebook costumava promover. Mas, se nada for feito, você verá cada vez menos posts nosso em seu feed de notícias. Uma concorrência que já era difícil passa a se tornar completamente desleal.

Muitos editores de alta qualidade perceberam corretamente que o Facebook era uma ótima ferramenta para começar seus negócios. Então, eles entraram, tornaram-se mestres no ambiente da plataforma e evoluíram para se tornar excelentes recursos para notícias e entretenimento.

Se um site for pequeno e quiser permanecer pequeno, ou se for um site exclusivamente local, o sinal Click-Gap não será um empecilho. Mas mesmo que um site não estabelecido tenha conteúdo interessante, divertido e excelente, ele não pode contar com o Facebook como meio de ter sua voz ouvida.

Lembre-se que o Facebook está falando sobre rebaixar posts de páginas que seus usuários já seguem.

Imagine ir ao supermercado e carregar o carrinho com os itens que você quer comprar. Depois de selecionar cuidadosamente todas as coisas em que você quer gastar seu dinheiro arduamente ganho, você vai para a frente da loja. Lá você é recebido pelo gerente da loja.

Ele informa que, apesar de você ter optado por comprar esses itens e independentemente do motivo, ele fará uma auditoria de suas seleções. O gerente então diz para você fechar os olhos enquanto ele tira metade dos itens do seu carrinho – mas não permite que você saiba quais ou por quê.

Mas não é só. Ele sorri maliciosamente e diz que a nova política da loja substituirá alguns itens restantes por marcas mais estabelecidas. Você não gosta do sabor? Desculpa. Desfrute de um bocado de totalitarismo sem escolha. Eu prometo que é melhor para você.

Se o Facebook quer ser uma via estreita para apenas para as grandes mídias, ele tem esse direito, mas não pode dizer que é uma plataforma ampla que acolhe a todos. O sinal de click-gap é o mais recente lembrete de que, apesar do que diz em suas propagandas, o Facebook é muito mais diversificado nos pontos de vista que ele silencia do que os que ele permite.

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2 Comentários
  1. Flavio Diz

    O sr. Zuckberg , como bom americano , não poderia deixar de ser hipócrita , vaidoso e ganancioso . É lugar-comum as frases de ” poder americano , ” ” sonho americano “, etc , que os representa . Segundo consta , ele criou o face para tentar se comunicar , pois era tímido . De repente , ficou rico , a riqueza deu-lhe coragem para mudar sua moral e o que era uma aldeia com fim social passar para o imperialismo capitalista . e assim vão se indispondo com o mundo . Depois , não sabem porque merecem os ataques terroristas . Só criam cobras e depois reclamam ….

  2. Rato, Caça Diz

    o bagulho é doido

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