O bizarro ‘caso de máscaras de chumbo’ que ficou sem solução por mais de 50 anos

Em um dia normal do verão de 1966, no Rio de Janeiro, um jovem garoto encontrou dois cadáveres que, por conta das suas circunstâncias bizarras, entrariam para a história como o misterioso caso das Máscaras de Chumbo.

Encontrados lado a lado e aparentemente sem nenhum ferimento, os corpos usavam máscaras de chumbo sobre os olhos. E ao analisarem os objetos encontrados com os falecidos, as equipes de investigação só encontraram ainda mais fatores misteriosos.

Milhares de teorias surgiram desde então, tentando explicar o que havia acontecido com esses homens. Mas até hoje, os investigadores não sabem dizer exatamente por que os dois mortos usavam máscaras de chumbo, e o que realmente os atraiu para as colinas onde eles foram encontrados.

O CASO DAS MÁSCARAS DE CHUMBO

Domínio Público

 

Em 20 de agosto de 1966, um jovem garoto chamado Jorge da Costa Alves decidiu dar uma volta no Morro do Vintém, em Niterói. O que ele não sabia é que, pouco tempo depois de chegar no morro, ele acabaria se deparando com dois corpos no meio da vegetação.

Obviamente, ele acionou a polícia assim que encontrou os cadáveres, e quando as autoridades chegaram a cena era a seguinte: Dois corpos usando capas de chuva em cima de um terno, e máscaras de chumbo caseiras sobre os olhos.

Perto dali, havia uma garrafa de água vazia, algumas toalhas e um pouco de dinheiro. Mas o mais bizarro de tudo talvez tenha sido um bilhete encontrado no bolso de um dos homens: “16:30 – Estar no local combinado. 18:30 – Engolir cápsulas, após o efeito proteger os metais, e aguardar o sinal da máscara”.

Ali começava a história do Caso das Máscaras de Chumbo, que se arrasta por várias décadas. E ainda que a polícia tenha conseguido reunir mais informações sobre os mortos, cada resposta só levava a mais perguntas.

Não demorou muito para a polícia identificar os dois homens: Manoel Pereira da Cruz, 32 anos, e Miguel José Viana, 34. Os dois trabalhavam consertando aparelhos eletrônicos, e viviam em Campos dos Goytacazes.

Com as identidades em mãos, a polícia tentou refazer os últimos passos dos homens. Foi então que as autoridades descobriram que Manoel e Miguel haviam dito às suas famílias, na manhã do dia 17 de agosto, que precisavam ir a São Paulo para comprar um carro e uma série de equipamentos.

Mas em vez disso, os dois homens embarcaram em um ônibus para Niterói. Depois de chegar na cidade, por volta das 14h, os homens fizeram várias paradas. Eles compraram capas de chuva e uma garrafa de água mineral em um bar.

O curioso é que eles guardaram o recibo da garrafa, o que de acordo com a polícia da época era um indício de que eles pretendiam devolver a garrafa ao bar, com o intuito de receber um reembolso – prática comum na época, já que as garrafas não eram de plástico.

Mas as testemunhas que lembraram dos dois homens afirmavam que eles davam indícios que algo estava errado. O rapaz que havia vendido a garrafa d’água informou que os dois homens pareciam nervosos, e estavam sempre checando os relógios. Manoel e Miguel foram vistos pela última vez entrando na vegetação por volta das 15h15. Três dias depois, foram encontrados mortos.

Até hoje, ninguém sabe ao certo o que aconteceu com os dois rapazes naquele dia. Até mesmo seus corpos ofereciam poucas pistas, já que estavam em estágio muito avançado de decomposição para que um relatório toxicológico pudesse ser feito com precisão.

Mas algumas teorias surgiram com o passar dos anos, principalmente depois que a polícia descobriu que os dois rapazes eram mais do que simples reparadores de eletrônicos. De acordo com a esposa de um deles, os homens se interessavam pelo “espiritismo científico”, e ambos estavam interessados em fazer contato com espíritos alienígenas. Inclusive, havia outro amigo envolvido nessas “pesquisas” mirabolantes: Élcio Gomes.

Durante algum tempo, a polícia teve Élcio como um suspeito de ter matado os dois homens, já que a esposa de Manoel afirmou que ele havia brigado com o amigo.

Élcio também contou uma série de histórias contraditórias para a polícia, o que aumentou a desconfiança. Outro homem, Hamilton Bezani, chegou a dizer para a polícia que ajudou a roubar e matar os dois homens depois de conhecê-los em um centro espírita e atraí-los para Niterói.

Em um dos seus depoimentos ele disse para a polícia que Manoel e Miguel foram obrigados a tomar veneno depois de serem roubados. Mas a polícia não encontrou nenhum indício que pudesse sustentar a história.

E ainda que ninguém saiba o que os dois foram fazer no morro naquele dia, eles aparentemente tinham um objetivo bem claro. O que será que eles foram tentar fazer lá em cima? Qual era a utilidade das máscaras de chumbo? Bem, todas essas perguntas seguem sem resposta até o dia de hoje.

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