O coronavírus pode infectar a mesma pessoa mais de uma vez?

O mundo vem sofrendo atualmente com o surto da Covid-19, provocada pelo novo coronavírus originário da China. Apesar de todos os esforços por parte de médicos e cientistas, ainda é difícil saber que rumo a crise tomará, visto que a cada dia aprendemos algo novo sobre o vírus, e não temos total conhecimento sobre suas peculiaridades.

Um dos fatores que atualmente vem intrigando a comunidade científica é: Depois de contrair a Covid-19 uma vez e conseguir se curar, é possível que um paciente volte a apresentar a mesma doença?

Até pouco tempo atrás, a grande maioria dos especialistas acreditava que o corpo humano se tornava imune ao coronavírus a partir da cura, mas as coisas mudaram depois de um caso registrado no Japão. Lá, um homem de 70 anos passou dias internado em um hospital de Tóquio, sob cuidados intensivos até se recuperar completamente da Covid-19. Felizmente, o homem conseguiu ter alta hospitalar e voltou a ter uma vida normal. O problema é que, após poucos dias de alta, o homem voltou a apresentar febre. De volta ao hospital, realizou um novo teste e, para o espanto de todos, ele testou positivo para a doença mais uma vez.

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Nova infecção ou “contra-ataque” do vírus?

A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), em entrevista recente à BBC, afirmou que pouco sabemos ainda sobre o nCoV-19, e que pela falta de conhecimento científico acerca do vírus é impossível afirmar com certeza absoluta se a cura de um paciente significa imunidade à doença.

De acordo com o virologista espanhol Luis Enjuanes, do Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC), 14% dos pacientes recuperados da Covid-19 retornam a apresentar testes positivos após a alta. Na visão do especialista, no entanto, isso não significa necessariamente que estes pacientes foram infectados outra vez. “Minha explicação, entre várias possíveis, é que, em geral, esse coronavírus imuniza a população, mas talvez a resposta imune do corpo não seja muito forte. Então, quando essa resposta imunológica diminui, o vírus, que fica em algum reservatório do corpo, reaparece”, explicou Enjuanes.

Em outras palavras, o que o virologista quer dizer é que, quando um paciente é curado da Covid-19, o vírus não é totalmente extinto do corpo da pessoa. Ele continua lá, escondido em alguma região do organismo. Com uma eventual queda no sistema imunológico, ele pode se replicar e voltar a produzir sintomas.

Não é totalmente incomum que uma pessoa volte a sofrer com uma doença mesmo após a imunização. Algumas vacinas, como aquela que você provavelmente toma anualmente contra a gripe comum, precisam de doses de reforço pois os vírus costumam sofrer mutações ao longo do tempo. Não é o que acontece, por outro lado, com a vacina do sarampo, que basta uma dose para imunizar a pessoa por toda a vida.

Para o pesquisador Isidoro Martínez, que também conversou com a BBC, o estranho no caso do coronavírus é a velocidade com que ocorreu a volta dos sintomas no paciente japonês.

“O que normalmente acontece é que, sem a imunidade duradoura, dentro de um ou dois anos, em novas epidemias, você será infectado novamente. Isso é normal. Mas é raro uma pessoa ser reinfectada com o mesmo vírus logo após ser curada. Além disso, devemos ter em mente que, até onde sabemos, esse coronavírus não muda tanto quanto o vírus influenza (da gripe comum)”, disse Martínez, antes de complementar concordando com a tese de Enjuanes:

“Possivelmente, o que está acontecendo no caso da Covid-19 é que as pessoas que testam positivo depois de um resultado negativo são vítimas de um retorno temporário da infecção, até que seja definitivamente eliminada”.

Novas pesquisas são aguardadas no campo da medicina para determinar o comportamento do nCoV-2019 e como ele se comporta no organismo durante e depois dos sintomas.

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