Um vírus ainda não identificado está intrigando autoridades de saúde e gerando preocupação global após matar mais de 50 pessoas na República Democrática do Congo, segundo a AP News. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), os primeiros casos foram registrados em janeiro na vila de Boloko, no noroeste do país, onde três crianças menores de cinco anos morreram após apresentarem sintomas hemorrágicos. Até 15 de fevereiro, o número de casos confirmados já ultrapassava 431 pessoas nas regiões de Boloko e Bomate, com mais de 50 mortes confirmadas.
A origem do surto ainda é um enigma. Investigadores levantaram a hipótese de que as três crianças tenham sido expostas ao vírus após consumirem carne de morcego, mas até o momento não há confirmação de que o animal seja a fonte da infecção. A OMS reforçou que os testes para vírus conhecidos, como Ebola e Marburg, deram negativo, assim como análises iniciais para malária, febre tifoide e meningite.
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O surto teria surgido no noroeste da República Democrática do Congo
Os sintomas iniciais incluem dores de cabeça, diarreia e fadiga, evoluindo rapidamente para febre hemorrágica — condição grave que provoca sangramentos internos e externos. A maioria das mortes ocorre cerca de 48 horas após o surgimento dos primeiros sinais, segundo relatos da OMS. A velocidade do agravamento dos casos e a falta de respostas sobre a natureza do patógeno preocupam especialistas.
Em coletiva de imprensa, o porta-voz da OMS, Tarik Jasarevic, afirmou que a organização está investigando se a causa é um agente infeccioso desconhecido ou uma toxina. “Os surtos representam uma ameaça significativa à saúde pública. Precisamos entender o que está acontecendo para definir como a OMS pode apoiar”, disse. Equipes locais e internacionais trabalham em conjunto para sequenciar amostras e identificar o microrganismo ou substância responsável.
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A causa do vírus é desconhecida, mas ele causa sintomas semelhantes aos do Ebola ou do Marburg
O cenário também preocupa pela semelhança com outros surtos recentes. Em dezembro de 2023, um grupo de casos no país foi inicialmente tratado como uma possível nova doença, mas depois associado a uma combinação de malária e desnutrição aguda. O professor Paul Hunter, especialista em doenças infecciosas da Universidade de East Anglia, sugeriu que a situação atual pode ter causas semelhantes, mas reforçou a necessidade de aguardar os resultados das investigações.
Enquanto isso, o Dr. Michael Head, pesquisador em saúde global da Universidade de Southampton, destacou a gravidade dos números: “É alarmante termos centenas de casos e mais de 50 mortes com sintomas tão severos”. Ele explicou que, embora surtos sem identificação imediata sejam relativamente comuns em regiões com sistemas de saúde frágeis, a escala atual exige atenção máxima.
A OMS mantém equipes de monitoramento nas áreas afetadas para rastrear novos casos e evitar a propagação. Medidas de isolamento e controle de infecções estão sendo reforçadas, embora não haja recomendações oficiais para restrições de viagem. Comunidades locais receberam orientações para evitar o consumo de animais silvestres e buscar atendimento médico imediato em caso de sintomas.
Até o momento, nenhum caso fora da República Democrática do Congo foi reportado. A prioridade das autoridades é acelerar a identificação do agente causador para definir tratamentos específicos e estratégias de contenção. Enquanto a resposta avança, o surto segue como um desafio complexo para a saúde global.