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Na tentativa de criar uma “raça pura”, os nazistas lançaram esse cruel projeto

Em meio à atuação de Adolf Hitler, que espalha terror pela Europa, um programa segredo corria na Alemanha. Em pequenas cidades alemães e norueguesas, mulheres grávidas chegavam em massa à clínicas misteriosas. Mas qual será a verdadeira história por trás do sinistro ‘Lebensborn’?

Das Bundesarchiv

A Alemanha tentava retornar à normalidade depois da Primeira Guerra Mundial, e uma nova ideologia começou a aparecer. Irritados pelas restrições que sofriam, os cidadãos cada vez mais se atraíam pelas ideias colocadas em prática pelos nazistas.

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Em 1943, Adolf Hitler se tornou o líder do país, e era da Alemanha Nazista estava começando. Sob o comando dos ‘nazi’, a nação enfrentou uma forte ditadura facista, com as autoridades controlando cada aspecto do dia a dia de sua população. Ainda que as crenças fossem variadas, uma das ideias centrais no país era o conceito da “raça ariana”.

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O termo foi cunhado pela primeira fez no final do século 19, e era usado para se referir à população do oeste asiático e à descendência europeia. Mas quando Hitler chegou ao poder, os nazista passaram a encarar os arianos como uma “raça superior” dentro da Europa, sendo que os alemães seriam os mais puros.

via vickysideas

De acordo com a propaganda nazista, os alemães arianos eram de descendência nórdica, e possuíam olhos azuis e cabelos loiros. Ao mesmo tempo, diziam que os judeus e eslavos de alguma forma estavam “manchando” e “acabando” com a raça ariana.

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Determinados a proteger aquilo que acreditavam ser a “pureza” da raça ariana, os nazistas colocaram em prática o assassinato sistemático de qualquer um que acreditassem ser “inferior” aos arianos. Mesmo assim, eles precisavam garantir que teriam arianos para substituir as pessoas que eram mortas.

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Em um país que ainda sofriam com os problemas posteriores da Primeira Guerra Mundial, isso era fácil falar isso, mas difícil fazer. Com poucos homens para casar, muitas mulheres desistiam de engravidar. O número de abortos também crescia naquela época, com até 800 mil casos por ano.

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Para combater esse problema, os nazistas lançaram um projeto chamado Lebensborn (ou Fonte da Vida, em tradução livre). O objetivo do projeto era aumentar o número de nascimentos de crianças arianas.

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Lançado em 1935, o Lebensborn atuou de maneiras diferentes ao longo dos anos. No começo, funcionou praticamente como um serviço de saúde, cuidando das esposas de oficiais nazistas que estavam grávidas. Entretanto, o programa também aceitava mulheres solteiras – desde que fossem filhas de pais que seguissem os padrões nazistas.

Das Bundesarchiv

Cerca de 60% das mães envolvidas no programa eram solteiras, e se elas decidissem não criar seus filhos, podiam colocá-los para adoção. Nesse caso, outra família alemã era designada a cuidar da criança.

Józef Fajkowski

Essa, no entanto, não era a única forma de atuaçã odo Lebensborn. A partir de 1939, os oficiais nazistas começaram a varrer a Yugoslávia, Estônia, Checoslováquia. Letônia e Ucrânia, em busca de crianças que encaixassem nos padrões arianos.

Józef Fajkowski

Tragicamente, qualquer criança desejada pelos alemães era retirada de seus pais verdadeiros e levada para se unir ao Lebensborn. Lá, passavam por uma série de testes, que tinham como objetivo detectar qualquer traço que fugisse do padrão ariano. Se falhassem, eram levadas diretamente para um campo de concentração.

Das Bundesarchiv

Mesmo as crianças que eram consideradas “aceitáveis” tinham tristes futuros. Sozinhos, em um país estranho, eram criados por famílias alemãs que lhes ensinavam a ideologia nazista. Consequentemente, se as crianças resistissem aos ensinamentos, eram espancadas ou levadas para campos de concentração.

Riksarkivet

Ao mesmo tempo, na Noruega ocupada pelos alemães, muitos moradores locais eram vistos como “valiosos detentores de sangue viking”. Por meio do programa Lebensborn, nove clínicas foram estabelecidas no país. Lá, oficiais nazistas eram encorajados a ter filhos com mulheres norueguesas.

Das Bundesarchiv

Aparentemente, muitas crianças nascidas sob o programa eram sujeitadas a um ritual aterrorizante. Sob a ameaça de um punhal, as mães eram obrigadas a prometer fidelidade ao partido nazista.

Riksarkivet

Em algumas ocasiões, essas crianças eram tiradas de seus pais e “educadas” por famílias ricas da Alemanha, gozando de todos os benefícios da alta sociedade nazista. Além disso, aquelas crianças que ficavam com suas mães recebiam tudo o que precisavam para crescer. As mulheres que davam à luz várias crianças eram recompensadas com regalias como empréstimos com taxas menores e alugueis com desconto.

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Ao todo, acredita-se que cerca de 20 mil crianças nasceram em clínicas do Lebensborn ao redor da Alemanha e Noruega. No entanto, o número de jovens raptados pelos nazistas, acredita-se, é ainda maior. Ainda que muitos dados tenham sido destruídos depois da guerra, alguns estudos apontam que até 200 mil jovens podem ter sido levados pelos alemães.

Keystone/Hulton Archive/Getty Images

Ainda que a situação dos filhos do Lebensborn durante a guerra fosse trágica, o que aconteceu com eles depois também foi triste. Na melhor das hipóteses, eles eram rotulados como bastardos, incapazes de conhecer seus próprios pais – muitos dos quais tinham sido encorajados a ter filhos com mulheres que não eram suas esposas.

Riksarkivet

Além disso, na Noruega, a triste situação das crianças continua até hoje. Suspeitos de levarem perigosos genes nazistas, muitos deles posteriormente acabaram em clínicas para doentes mentais. Outros sofreram perseguições ao longo da vida, evitados pelos moradores locais e pelas autoridades.

FREDERICK FLORIN/AFP/Getty Images

Hoje, muitos filhos do Lebensborn – agora idosos -, buscam ajudam para lidar com estigma que lhes acompanhou por toda vida. Alguns conseguiram encontrar suas raízes e seus pais verdadeiros. Entretanto, para outros, o passado de seus pais se revelou tão sombrio que sequer merece ser investigado.

via Scribol.

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