Mulher recebe R$ 2.400 de mães para dormir com seus filhos e explica por que faz isso

por Lucas Rabello
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Mulher recebe R$ 2.400 de mães para dormir com seus filhos e explica por que faz isso

Uma mulher de 31 anos vem chamando atenção por atuar em uma área pouco conhecida, cercada de curiosidade, tabu e polêmica. Saurora Grace trabalha há três anos como substituta sexual, uma atividade voltada a ajudar adultos a lidar com bloqueios ligados à intimidade, ao toque e à vida sexual.

O tema lembra o enredo do filme Que Horas Eu Te Pego?, no qual uma personagem interpretada por Jennifer Lawrence é contratada pelos pais de um jovem tímido para ajudá-lo a ter sua primeira experiência sexual. Na ficção, a premissa gerou debate. Na vida real, segundo Saurora, situações parecidas acontecem com mais frequência do que muita gente imagina.

Ela afirma já ter sido contratada mais de 500 vezes. Seus clientes incluem homens e mulheres de 21 a 80 anos, com histórias muito diferentes. Alguns nunca tiveram relações sexuais. Outros enfrentam traumas, insegurança, deficiência física, lesões graves ou vivem relacionamentos sem intimidade.

Saurora ganhou mais visibilidade em meio à discussão sobre programas como Virgin Island, do Channel 4, que acompanha adultos virgens tentando superar barreiras emocionais e físicas ligadas à sexualidade. Nesse tipo de trabalho, a proposta não é apenas o ato sexual em si, mas um processo gradual de confiança, consentimento e reconexão com o próprio corpo.

Saurora Grace disse que muitos de seus clientes eram deficientes e que, em muitos casos, ela havia sido contratada por seus pais (Instagram/@saurorasoull)

Saurora Grace disse que muitos de seus clientes eram deficientes e que, em muitos casos, ela havia sido contratada por seus pais (Instagram/@saurorasoull)

Como ela entrou nesse trabalho

Em entrevista ao The Sun, Saurora contou que sua decisão de entrar nessa área nasceu após uma perda pessoal profunda. “Pode parecer estranho, mas entrei nesse trabalho depois que minha amada mãe perdeu sua longa batalha contra o alcoolismo em 2022”, disse.

Segundo ela, a morte da mãe mudou sua forma de enxergar a vida, o corpo e as conexões humanas. “A morte dolorosa dela me empurrou para querer ajudar pessoas. Perder minha mãe reformulou fundamentalmente a maneira como eu entendia a vida, o corpo e a conexão humana.”

Saurora afirmou ainda que percebeu como muitas pessoas passam anos negando a si mesmas intimidade, prazer e honestidade. “Isso me fez perceber com que frequência as pessoas negam a si mesmas intimidade, prazer e honestidade até ser tarde demais. E me empurrou para um trabalho que ajuda outras pessoas a se reconectarem com essas coisas.”

As sessões, segundo ela, costumam durar cerca de três horas. No primeiro encontro, o contato pode começar com uma massagem. Em uma segunda sessão, dependendo do conforto do cliente, a experiência pode avançar para sexo oral. Só depois, se houver desejo e segurança de ambos os lados, pode ocorrer uma relação sexual completa.

 

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Deficiência, tabu e julgamento

Uma parte importante dos clientes de Saurora é formada por pessoas com deficiência. Ela afirma que muitos nasceram com alguma condição física ou ficaram com sequelas após acidentes, como paralisia, e nunca tiveram um parceiro ou parceira para viver uma experiência sexual.

“Muitos nasceram com uma deficiência e ainda eram virgens, ou ficaram com lesões transformadoras, como paralisia, depois de um acidente e não têm um parceiro para fazer sexo”, explicou.

Outros clientes, segundo ela, não têm deficiência, mas vivem bloqueios emocionais, relacionamentos sem sexo ou chegam à vida adulta sem nunca ter tido uma relação. Para Saurora, um dos maiores problemas é a forma como a sociedade ainda trata pessoas com deficiência como se fossem assexuadas.

“Pouco mais de 90% das pessoas com deficiência são sexualmente ativas, mas muitas ainda são frequentemente tratadas pela sociedade como assexuadas”, disse.

Ela também contou que, em muitos casos, quem entra em contato são os próprios pais dos clientes. Alguns têm filhos adultos com deficiência e querem que eles possam viver experiências afetivas e sexuais como outras pessoas da mesma idade.

O trabalho, no entanto, não passa sem críticas. Saurora diz que já perdeu um relacionamento por causa da profissão e ouviu que nunca encontraria alguém que a amasse por fazer esse tipo de atendimento. Mesmo assim, ela defende que sua atuação permite que pessoas explorem a sexualidade em um espaço seguro, acolhedor e sem julgamento.

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