Mulher obrigada a comparecer a uma audiência judicial durante o trabalho de parto por recusar uma cesariana se pronuncia

por Lucas Rabello
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Mulher obrigada a comparecer a uma audiência judicial durante o trabalho de parto por recusar uma cesariana se pronuncia

Uma mulher nos Estados Unidos viu o nascimento de sua filha se transformar em uma situação incomum e tensa dentro do hospital. Cherise Doyley chegou ao University of Florida Health Hospital em setembro de 2024 para dar à luz. Ela já havia passado por cesarianas anteriores e queria tentar um parto vaginal, mas a equipe médica defendia que uma nova cesariana seria a opção mais segura.

O motivo da preocupação era o risco de ruptura uterina, uma complicação rara, mas grave, em que a parede do útero se rompe. Em casos assim, o bebê pode passar para a cavidade abdominal, colocando mãe e criança em risco. A condição costuma ser mais associada a cicatrizes de cesarianas anteriores, por isso muitas mulheres que já passaram pelo procedimento recebem recomendação para repetir a cirurgia em gestações futuras.

Cherise, no entanto, dizia ter motivos pessoais para recusar outra cesariana. Segundo ela, a recuperação havia sido muito difícil nas vezes anteriores. “Foi uma recuperação muito difícil para mim todas as vezes”, afirmou. “E era algo pelo qual eu simplesmente não queria passar de novo.”

Uma audiência no meio do trabalho de parto

Depois de cerca de 12 horas em trabalho de parto, a situação tomou um rumo inesperado. Uma enfermeira entrou no quarto com um tablet preparado para uma audiência por Zoom. Foi naquele momento que Cherise descobriu que o caso havia chegado à Justiça.

“Foi exatamente quando descobri que iríamos ao tribunal”, contou ela à ABC News.

Deitada na cama do hospital, em trabalho de parto ativo, Cherise passou a participar de uma audiência judicial. Segundo ela, o choque foi imediato. “Eu estava com muito medo. Estava confusa. Eu não sabia o que estava acontecendo ou o que esperar.”

A situação havia sido levada à Justiça depois que o estado da Flórida apresentou uma petição emergencial a pedido do hospital. A alegação era de preocupação com a segurança do bebê que ainda não havia nascido. A audiência foi conduzida pelo juiz Michael Kalil.

De acordo com relatos publicados sobre o caso, Cherise não tinha representação legal durante a audiência, apesar de ter pedido um advogado ou um defensor do paciente. Para ela, a experiência deixou a sensação de que sua própria segurança e vontade não receberam o mesmo peso na discussão.

A decisão do juiz

O juiz acabou decidindo que o hospital poderia realizar a cesariana sem o consentimento dela caso uma emergência fosse identificada. Mais tarde, essa emergência foi declarada, e a cirurgia foi realizada.

A bebê Arewa nasceu em segurança por cesariana. O caso, porém, chamou atenção por colocar em choque dois pontos extremamente sensíveis: a autonomia de uma paciente durante o parto e a obrigação médica de agir diante de um possível risco para o bebê.

Cherise era uma ex-doula profissional e conhecia o ambiente do parto, mas disse que nada a preparou para ser levada a uma audiência judicial enquanto estava em trabalho de parto. Para ela, o episódio não foi apenas uma disputa médica, mas uma experiência marcada por medo, confusão e falta de controle em um dos momentos mais delicados de sua vida.

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