O caso da britânica Sonia Exelby, de 32 anos, voltou aos tribunais nos Estados Unidos com uma nova data marcada para o julgamento de Dwain Hall, homem da Flórida acusado de sequestrá-la e assassiná-la. A seleção do júri está prevista para começar em 16 de novembro deste ano, em um processo que reúne mensagens perturbadoras, uma viagem internacional, compras suspeitas e a descoberta do corpo em uma cova rasa.
Sonia havia viajado do Reino Unido para a Flórida em outubro do ano passado. O alerta sobre seu desaparecimento foi dado depois que ela não embarcou no voo de volta. A família, preocupada com sua saúde mental, acionou autoridades, e poucos dias depois o caso ganhou contornos criminais. Em 17 de outubro, seu corpo foi encontrado enterrado em uma área de mata.
A autópsia apontou que Sonia provavelmente morreu em decorrência de ferimentos causados por faca. Segundo os documentos do caso, ela teria sido esfaqueada quatro vezes.
Dwain Hall, de 54 anos, foi preso no mesmo dia em que o corpo foi encontrado. Ele nega as acusações de sequestro e assassinato. De acordo com a polícia, Hall afirmou que queria ajudar Sonia e que não queria que ela morresse.
A viagem para a Flórida
Investigadores afirmam que Sonia conheceu Hall depois de publicar uma mensagem em um site de fetiches dizendo que procurava alguém para abusá-la e matá-la. A informação aparece como parte da investigação policial e se tornou um dos pontos mais delicados do caso.
Segundo autoridades citadas no processo, Sonia chegou ao Aeroporto Regional de Gainesville na noite de 10 de outubro. Ela teria sido buscada por Hall por volta das 18h30 e levada até um imóvel alugado por temporada, reservado para sua estadia.
Antes da chegada dela, Hall teria comprado itens em uma unidade do Walmart. Entre os produtos listados estavam corda de nylon, limpador de arma, outra corda, spray Lume e uma pá. Esses detalhes passaram a ser analisados pelos investigadores como possíveis indícios de planejamento.
No dia seguinte, 11 de outubro, Hall teria cobrado 1.200 dólares do cartão bancário de Sonia por meio de seu negócio. Mais tarde, por volta das 15h30, um veículo compatível com o da empresa de assistência rodoviária de Hall teria sido visto do lado de fora do Airbnb onde Sonia estava hospedada.

Dwain Hall se declarou inocente das acusações de sequestro e assassinato de Sonia Exelby. Seu julgamento está previsto para começar em novembro (Cadeia do Condado de Marion).
Mensagens de medo e dor
Um dos pontos centrais da investigação envolve as conversas mantidas entre Sonia, Hall e outras pessoas pelo Discord. Segundo a declaração juramentada do caso, mensagens trocadas entre Sonia e Hall indicavam discussões sobre bondage, suicídio e o desejo dela de que alguém a matasse.
Mas mensagens enviadas por Sonia a uma amiga depois de sua chegada aos Estados Unidos apontariam para uma mudança de tom. Em vez de controle sobre a situação, elas indicavam medo, dor e sensação de aprisionamento.
Em uma das mensagens, Sonia teria escrito: “Sinto muito, ele fica pegando meu telefone, ele não confia em mim com ele. Ele deixou claro que não havia saída a menos que eu atirasse nele.”
Em outra, afirmou: “Eu questionei isso ontem à noite. Eu não consigo matar ninguém.”
Ela também teria dito: “Achei que ele faria isso rápido e não daria tempo para minha mente ficar remoendo e perceber que esta seria a última coisa que eu diria a alguém se eu não aceitasse a oferta dele de atirar nele. Ele me mostrou como usar e onde mirar.”
A última mensagem atribuída a Sonia dizia: “Estou com tanto medo, estou tão quebrada e com tanta dor que tudo que consigo fazer é ficar deitada aqui e fazer o que ele quer.”
Essas mensagens se tornaram fundamentais para a acusação, pois sugerem que, mesmo que Sonia tivesse viajado em um contexto descrito pela polícia como ligado a abuso sexual, tortura e possível morte, ela teria demonstrado medo e vontade de sair da situação.
Compras, vídeo e deslocamentos
Ainda em 11 de outubro, os investigadores afirmam que Hall gravou um vídeo de Sonia. Nas imagens, segundo o material do caso, ela apareceria com cortes e hematomas pelo corpo, enquanto Hall perguntava se ela consentia em ser esfaqueada.
No dia 12 de outubro, Hall teria comprado uma lona. Imagens de vigilância mostrariam alguém se movimentando diante do carro dele. Depois disso, ele teria dirigido até a área onde o corpo de Sonia seria encontrado dias mais tarde.
No dia 13 de outubro, o Departamento de Aplicação da Lei da Flórida recebeu um alerta das autoridades britânicas sobre uma pessoa desaparecida e vulnerável. Hall foi entrevistado por agentes ainda naquele período. Depois, segundo a investigação, enviou uma mensagem a um amigo dizendo que “poderia haver uma grande tempestade vindo” para ele.
No dia 14 de outubro, Hall foi novamente interrogado, desta vez sobre as cobranças feitas no cartão de Sonia. No mesmo dia, teria enviado um pacote para um amigo em Ohio. A acusação afirma que o pacote incluía uma faca com sangue de Sonia e uma pulseira com DNA dos dois.
A prisão e a negativa de fiança
Em 17 de outubro, Hall foi preso inicialmente por fraude e uso ilegal de dispositivo de comunicação bidirecional. Essas acusações acabaram sendo retiradas posteriormente. No mesmo dia, as autoridades encontraram o corpo de Sonia em uma cova rasa.
No dia seguinte, 18 de outubro, a autópsia indicou que ela provavelmente morreu por ferimentos de faca. Em 27 de outubro, Hall teria entrado em contato com sua esposa e pedido que ela ficasse atenta a um pacote vindo de um amigo.
Em 31 de outubro, mensagens do Facebook entre Hall e seu contato em Ohio foram analisadas pelas autoridades. Depois disso, a polícia fez buscas na casa dele, onde teria recuperado a suposta arma do crime.
Em 17 de novembro, Hall foi formalmente preso e acusado de sequestrar e matar Sonia Exelby. No dia seguinte, teve a fiança negada. Durante a audiência, o juiz afirmou: “Nessas circunstâncias, não há fiança que assegure sua presença no tribunal e mantenha a comunidade segura.”
O juiz acrescentou: “E os fatos deste caso mostram que há uma grande quantidade de provas contra você.”
Hall permanece preso enquanto aguarda julgamento. Ele se declarou inocente de todas as acusações. Em uma audiência realizada em 22 de abril de 2026, foi informado de que será julgado pelas acusações de sequestro e assassinato, com a seleção do júri marcada para 16 de novembro.
