Momentos finais trágicos de mergulhador capturados pela câmera depois que ele ignorou conselhos sobre o infame Buraco Azul

por Lucas Rabello
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Mergulhar no Buraco Azul, no Egito, é como flertar com o perigo. Yuri Lipski, um mergulhador russo-israelense, aprendeu isso da pior maneira em 28 de abril de 2000. O Buraco Azul, um sumidouro submarino na costa do Mar Vermelho, já tirou a vida de muitos aventureiros, e Lipski não foi exceção. Ele foi mergulhar lá com o objetivo de filmar o famoso arco do Buraco Azul. Spoiler: não acabou bem.

Lipski conheceu Tarek Omar, um experiente mergulhador técnico, que ganhou o apelido de “O Mergulhador Ancião”. Omar tentou aconselhar Lipski. “Eu disse, ‘OK, você precisará de duas semanas de treinamento comigo primeiro, e então filmaremos'”, lembrou Omar em uma entrevista de 2017 para o The Guardian. Lipski, porém, tinha um cronograma apertado. “Eu só tenho o fim de semana,” disse ele a Omar, e decidiu mergulhar sozinho. Grande erro.

Com sua câmera de capacete, Lipski desceu no Buraco Azul. Ele atingiu uma profundidade de 91 metros. Nesse ponto, provavelmente, a narcose por nitrogênio entrou em ação. Essa condição, conhecida como “êxtase das profundezas”, pode causar euforia, confusão, alucinações e julgamento prejudicado. As filmagens de Lipski capturaram seus últimos momentos desorientados antes de sucumbir às profundezas. A câmera, milagrosamente intacta, revelou posteriormente os detalhes assustadores de seu último mergulho.

Omar encontrou o corpo de Lipski na manhã seguinte. Infelizmente, essa não era uma tarefa incomum para ele. Ele recuperou inúmeros corpos do Buraco Azul ao longo dos anos. “Recuperar corpos é algo que faço caso a caso; faço isso pro bono,” disse ele à Scene Arabia. “É algo muito crítico e difícil de fazer – requer mais do que apenas ser um mergulhador técnico, leva mais do que experiência. É muito difícil porque você mergulha fundo e fica lá para localizar os restos mortais.”

O Buraco Azul, com cerca de 100 metros em sua profundidade máxima, é um ímã para mergulhadores em busca de emoção. Sua atração vem com riscos mortais. Estima-se que até 200 mergulhadores tenham perdido suas vidas lá. Omar já viu de tudo. Ele é um homem que conhece os segredos do mar e seus perigos. “As pessoas não percebem o quão perigoso é este lugar,” ele costuma alertar.

Recentemente, os perigos do Buraco Azul foram destacados no documentário da Netflix, “The Deepest Breath”. Ele conta a história de Alessia Zecchini e Stephen Keenan, dois mergulhadores de apneia que desafiam seus limites para quebrar recordes mundiais. A história deles, assim como a de Lipski, termina em tragédia. Keenan morreu enquanto resgatava Zecchini, adicionando mais um nome à contagem sombria do Blue Hole.

Mergulhar aqui não é para os fracos de coração ou despreparados. É um lugar onde a beleza do mar mascara seu potencial mortal. Os mergulhadores vêm pelo desafio, pela emoção e pelas vistas subaquáticas incomparáveis. Mas sem o treinamento adequado e o respeito pelos perigos, eles correm o risco de se tornarem parte da lenda sombria do Buraco Azul.

Omar, o guardião deste local traiçoeiro, continua a mergulhar, recuperar corpos e advertir. Seu conselho é simples, mas profundo: “Treine bastante, respeite o mar e nunca mergulhe sozinho.” O Buraco Azul pode ser uma maravilha subaquática, mas também é um cemitério para aqueles que subestimam seu perigo.

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