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Misteriosos círculos no deserto têm padrões iguais aos de células

Padrões que aparecem tanto em escalas muito grandes quanto muito pequenas são extremamente raros, mas pesquisadores do Instituto de Ciência e Tecnologia da Universidade de Okinawa (OIST), no Japão, encontraram um padrão semelhante em dois sistemas aparentemente não relacionados – as células da pele e os “círculos de fadas” na deserto da Namíbia.

“É uma combinação completamente incrível e estranha”, disse o professor Robert Sinclair, que dirige a Unidade de Biologia Matemática na OIST.

Círculos de fadas em desertos são considerados um dos maiores mistérios da natureza, porque ninguém sabe como se formam. Diferente dos anéis de cogumelos, esses círculos de fadas são grandes manchas estéreis de terra cercadas por grama curta que pontilham o deserto como crateras na Lua. Vários grupos estão competindo para descobrir esse fenômeno bizarro. Sinclair e seu colaborador, Haozhe Zhang, acreditam ter identificado uma pequena, mas vital, peça do quebra-cabeça.

A distribuição dos círculos de fadas em todo o deserto pode parecer aleatória, mas acaba por ter um padrão muito parecido com o padrão de distribuição das células da pele. Um padrão que mede essas escalas de tamanho drasticamente diferentes – as células da pele microscópicas e a paisagem do deserto – é quase inédito na natureza.

“Ainda é difícil dizer exatamente por que eles são semelhantes, mas o fato de que eles são já é muito importante”, disse Sinclair.

Para realizar a análise, Sinclair e Zhang compararam o número de vizinhos adjacentes aos círculos de fadas e células da pele. Eles registraram imagens de satélite dos círculos de fadas, e um computador desenhou linhas a meio caminho entre cada par de círculos para designar fronteiras invisíveis, bem como paredes celulares. O computador então contou quantos vizinhos cercam cada círculo de fadas. Outros pesquisadores tinham calculado o mesmo para as células da pele há vários anos.

Os resultados foram praticamente idênticos. Tanto a maioria dos círculos de fadas e a maioria das células têm seis vizinhos. Mas a semelhança fica ainda mais específica – a percentagem de círculos de fadas com quatro, cinco, seis, sete, oito e nove vizinhos é essencialmente a mesma que as células da pele.

Muitas teorias sobre como se formam os círculos de fadas – de zebras até gases subterrâneos – foram provadas incorretas. Agora, alguns cientistas estão desenvolvendo modelos matemáticos que tentam explicar a origem dos desenhos.

Os pesquisadores suspeitam que os padrões podem ser semelhantes porque tanto as células da pele quanto os círculos de fadas estão lutando por espaço. Se for verdade, os cientistas poderão um dia ser capazes de recolher informações sobre os sistemas apenas através da análise de padrões. Por exemplo, eles poderiam procurar sinais de vida em outros planetas ou luas, onde as imagens são geralmente os únicos dados disponíveis inicialmente.

Encontrar um tal padrão pode também beneficiar ecologia e biologia em geral.

Compreender os processos em uma escala poderia iluminar o que está acontecendo na outra extremidade do espectro. “Caso contrário, precisamos de uma nova teoria inteira para cada tipo de sistema que estudamos, e podemos perder os princípios gerais”, concluiu Sinclair. [ScienceDaily]

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