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Misterioso faraó egípcio tinha o caso mais antigo conhecido de gigantismo

Luciana Calogeras

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O Egito Antigo sem dúvida esconde muitos mistérios: desde a tecnologia das pirâmides à maldição de Tutancâmon, passando também pelo mistério de Nefertiti e muitos outros que você poderá conferir em: 10 mistérios do antigo Egito que ainda não foram resolvidos – podemos dizer que sobre esse país existem mais perguntas do que respostas. 

E, curiosamente, um outro caso surgiu para intrigar os arqueólogos: Sanakht, um antigo faraó Egípcio que tinha caso de gigantismo. 

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Sanakht governou durante a Terceira Dinastia do Egito entre 2686-2665, ou seja, há basicamente 4.700 anos. 

Desde o início do século 20 o mistério perdura, quando um grupo de pesquisadores considerou os restos mortais de um homem encontrado em 1901 na pequena vila de Beit Khallaf como pertencentes à Sanakht. Seja ou não este realmente o rei desaparecido, os ossos revelam algo bem incomum: uma pessoa extremamente alta para a época – 1,87 revelava o que é cerca de 12% acima da média. 

Curiosamente, como relatado no The Lancet: Diabetes & Endocrinology, os restos faraônicos suspeitos pertenciam a alguém que sofria de gigantismo. Uma equipe da Universidade de Zurique está reanalisando o trabalho efetuado nos restos mortais e chegaram à conclusão de que este pode ser o exemplo mais antigo da condição na história da humanidade. 

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Fotografias de 1901 do possível crânio do faraó Sanakht. Charles S. Myers/Wikimedia Commons; Domínio público

O gigantismo é desencadeado pela superprodução de hormônios de crescimento durante a infância, mas isso não torna alguém simplesmente alto: essas pessoas crescem a uma altura muito superior ao que sua filiação sugere que eles deveriam. Suas mãos e pés se expandem rapidamente no início, e a testa, a mandíbula e o nariz geralmente seguem o mesmo padrão. 

Existem várias complicações associadas ao gigantismo, mas a pressão alta é sem dúvida a mais perigosa, pois pode terminar em um ataque cardíaco fatal. 

Em ambos os casos, as condições são desencadeadas por um tumor benigno na hipófise ou na glândula pituitária. Nos dias de hoje, diferentemente do Antigo Egito, essa condição pode ser atenuada pela remoção cirúrgica do referido crescimento.  

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Fotografias de 1901 do possível crânio do faraó Sanakht. Charles S. Myers/Wikimedia Commons; Domínio público

É conhecida como acromegalia o excesso de hormônios de crescimento durante a idade adulta, não na infância, envolvendo seções alongadas do corpo, em vez de altura excessiva. Para o caso de acromegalia, o recorde mais antigo já encontrado é o de uma pessoa que viveu há 11.500 anos, encontrada por escavação no Novo México. 

Com base nos restos esqueléticos do Egito, é quase certo que a pessoa dona dos ossos tinha gigantismo e não era apenas alguém alto: e, é claro, ele provavelmente não foi o primeiro a experimentar a condição, mas até agora, é o exemplo mais antigo já conhecido. 

A título de curiosidade, como mencionado no Atlas Obscura, se este realmente fosse o faraó Sanakht, ser tão alto não lhe proporcionava nenhuma vantagem social.  

Na verdade, se ele tivesse nanismo, ele teria tido uma consideração particularmente alta. De qualquer forma, ele teria aparecido como uma figura bastante imponente em qualquer sala do trono que frequentasse em sua época. 

[IFLScience]

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Luciana é profissional da área de tradução há mais de 15 anos, atuando também como professora de Inglês. Trabalha no Mistérios do Mundo desde 2016 como redatora e roteirista e em horas vagas é pesquisadora curiosa em diversas áreas do conhecimento.

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