Milionários estão fretando jatos particulares e pagando por bunkers para fugir do coronavírus

Com a escalada dos casos de Covid-19 no mundo inteiro, milhares de pessoas já estão se preparando para isolarem-se em suas casas o máximo possível. No Brasil, muitas escolas e universidades particulares estão suspendendo as aulas, enquanto empresas e órgãos públicos estudam formas de fazer com que seus funcionários trabalhem de casa.

Para os mais ricos, no entanto, o isolamento significa uma realidade bem diferente. Um artigo do jornal britânico ‘The Guardian’ afirma que clínicas particulares do Reino Unido já vêm recebendo assédio da classe mais abastada financeiramente, normalmente solicitando testes privados para a doença. Além disso, já existem relatos de pessoas fretando voos particulares para casas de férias ou bunkers construídos especialmente para situações de emergência como esta.

Um dos bunkers da companhia ‘Vivos’, em Dakota do Sul, nos EUA. / Jim Lo Scalzo/EPA

“Há uma grande demanda de várias pessoas financeiramente favorecidas para testes particulares. Infelizmente, nós não podemos oferecer estes testes, já que a NHS (Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido) defende que os testes sejam feitos de forma centralizada”, afirmou Mark Ali, chefe executivo e diretor médico da clínica privada Harley Street, em Londres.

Mark Ali se refere à ordem da NHS de testar apenas aquelas pessoas que possuem risco considerável de estarem com a doença. Ou seja, aquelas que viajaram para países onde a Covid-19 possui grande número de infectados ou tiveram contato direto com alguém que tenha testado positivo para a doença.

Entretanto, ainda segundo o ‘The Guardian’, um funcionário de outra clínica britânica, que não quis se identificar, afirmou que o seu consultório “arrumou uma forma” de atender um grande número de ricos de forma privada, seja conseguindo testes presenciais em outros países ou enviando o material coletado destes pacientes para laboratórios fora do país.

Ali, por sua vez, afirma que sua clínica está oferecendo uma injeção de vitaminas e minerais para aprimorar o sistema imunológico daqueles dispostos a pagar por este “boost”.

“A epidemia do Covid-19 visivelmente alarmou a reação das pessoas. Nós já tivemos várias pessoas nos consultando e querendo falar em detalhes sobre seus estilos de vida e sobre sua saúde em geral Nós sabemos que 90% dos adultos possuem uma certa deficiência de vitaminas. O que seria melhor para melhor este quadro se não um “impulso” imunológico”, disse Ali ao ‘The Guardian’, explicando que o tratamento custa 350 libras esterlinas (o equivalente a quase R$ 2.100).

Adam Twidell, diretor executivo da empresa PrivateFly, que oferece jatos particulares, afirma que os negócios da companhia estão crescendo desde o começo da epidemia, já que muitas pessoas (que podem pagar pelo serviço) estão começando a deixar os países em que a doença vem se fazendo mais presente.

“Muitos são de grupos que incluem passageiros idosos, ou aqueles com condições de saúde que se encontram dentro do grupo de risco. Nós recentemente trouxemos um grupo de volta da França para Londres, com um passageiro com imunidade debilitada à bordo”, disse Twidell ao Guardian.

Outro fenômeno é o crescimento da procura por passagens de alto luxo em aeroportos convencionais. Aqueles que não podem bancar um jato particular fazem um esforço para pelo menos garantir um tratamento especial na hora de voar. Pagando mais que a passagem comum, estes passageiros garantem um check-in, inspeção e embarque privativos, sem que precisem entrar em contato com outros passageiros.

E não são apenas as companhias aéreas e clínicas particulares que vêm observando aumento na procura. Robert Vicino, fundador do Vivos Group, empresa que possui como principal atuação a construção de abrigos subterrâneos, afirma que a companhia vem registrando um grande aumento nas consultas e vendas a partir da crise causada pelo coronavírus.

A empresa de Vicino oferece acomodações em mais de 500 bunkers de concreto localizados em um depósito abandonado da Segunda Guerra Mundial, em Dakota do Sul, nos EUA.

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