Mancenilheira: Todas as partes dessa árvore podem lhe matar

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O mundo está cheio de ameaças por aí: Animais assustadores, vírus e bactérias mortais e fenômenos naturais devastadores. No entanto, hoje você vai conhecer uma árvore que é tão perigosa que inclusive foi incluída no Livro dos Recordes do Guinness.

Estamos falando da mancenilheira, típica da América do Norte, Central e da parte mais ao norte da América do Sul. Trata-se de uma árvore cujas folhas e até mesmo a sua casca podem causar queimaduras na pele. Caso você exponha seus olhos à casca e folhas da mancenilheira, você pode acabar perdendo a visão. Além disso, os seus frutos também são venenosos quando ingeridos.

De acordo com registros históricos, vários conquistadores, no período das grandes navegações, se intoxicaram e perderam a vida por não conhecerem os potenciais perigos da árvore. Os indígenas, no entanto, já haviam percebido as propriedades mortais da mancenilheira, e inclusive utilizavam o seu veneno como um método de tortura, amarrando inimigos ao seu tronco e aguardando pela próxima chuva. Com a água escorrendo, o veneno queimava completamente a pele da vítima, causando também intoxicação. Há relatos também de que os indígenas utilizavam a seiva da árvore para fabricar flechas envenenadas.

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O nome científico da planta, Hippomane mancinella, foi dado pelo sueco Carl Linneo, pai da taxonomia moderna, em homenagem a uma outra planta nomeada por Teofrasto, na Grécia Antiga. A planta grega, que causava insanidade e confusão nos cavalos que a ingeriam, era chamada de Hippomane, nome que deriva das palavras “cavalo” e “mania” no idioma grego.

A mancenilheira pode chegar a ter 15 metros de altura, e curiosamente é encontrada muitas vezes nas proximidades de regiões arenosas, onde muitas pessoas buscam uma sombra para descansar. Como todas as partes da árvore são venenosas, basta se encostar por alguns minutos para já começar a perceber os sintomas. Relatos de quem já esteve em contato com a árvore dizem que o seu fruto cheira bem e até mesmo tem um bom sabor, semelhante à maçã. No entanto, engolir um pequeno pedaço do fruto já é suficiente para causar sérias queimaduras na boca, na garganta e no trato digestivo.

O autor John Esquemeling, que escreveu o livro ‘Os Corsários da América’, em 1678, detalhou na obra a sua experiência com a mancenilheira:

“Um dia, quando estava extremamente atormentado pelos mosquitos e ainda ignorante sobre a natureza desta árvore, cortei um galho para me abanar. Meu rosto inchou e se encheu de bolhas, como se estivesse queimado, e fiquei cego por três dias”, escreveu, sobre seu encontro com a árvore durante uma expedição na ilha ‘La Española’, entre o Haiti e a República Dominicana.

Com todas essas características negativas, pode até ser surpreendente, mas a árvore tem também as suas utilidades para os seres humanos. Sua madeira, quando totalmente seca ao sol, pode ser utilizada para fabricar móveis, e o fruto seco da mancenilheira vem sendo utilizado em alguns países como remédio com efeitos diuréticos.

De qualquer forma, se você encontrar essa árvore, é melhor sair de perto!

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