Maior erupção já registrada embaixo do oceano dá à luz novo vulcão

De acordo com informações do portal ‘ScienceAlert‘, um evento sísmico de grandes proporções registrado inicialmente em maio de 2018 foi responsável pela formação de um novo vulcão subaquático. Localizado na costa leste da ilha de Mayotte, ao norte do Canal de Moçambique, o vulcão não existia antes do terremoto, que abalou a região em 2018 e foi sentido em várias outras localidades. A nova formação vulcânica, de acordo com os cientistas, faz parte de uma estrutura tectônica localizada entre o Rift do Leste Africano o de Madagascar.

Em 10 de maio de 2018, alguns especialistas começaram a prever que um evento sísmico estava prestes a acontecer na região. Alguns dias mais tarde, em 15 de maio, um terremoto de magnitude 5.8 atingiu a ilha, causando espanto aos especialistas. Não demorou muito para que eles percebessem que havia um evento vulcânico em ação, de forma nunca antes vista.

Mapas de elevação de 2014 e 2019 mostram o novo vulcão. | Feuillet et al., Nature Geoscience, 2021

Os sinais apontavam para um local a aproximadamente 50km da costa oriental da ilha de Mayotte, então várias instituições governamentais francesas enviaram especialistas para lá. Liderados pela geofísica Nathalie Feuillet, da Universidade de Paris, os pesquisadores publicaram recentemente as suas descobertas.

A equipe monitorou a região desde fevereiro de 2019, usando um sonar para mapear uma área total de 8600km², no fundo do mar. A equipe também utilizou um sismômetro, a uma profundidade de até 3,5km.

Entre 25 de fevereiro e 6 de maio de 2019, os pesquisadores registraram mais de 17 mil eventos sísmicos em profundidades que variaram de 20 a 50 km abaixo da superfície da água. Esta descoberta é extremamente chamativa, visto que a maioria dos terremotos normalmente ocorre em locais muito mais rasos. Com todas essas informações em mãos, os pesquisadores conseguiram chegar a uma hipótese de como se formou o novo vulcão.

De acordo com o que os autores escreveram no estudo, tudo começou com um reservatório de magma nas profundezas da astenosfera, a camada do manto derretido localizada logo abaixo da litosfera. Abaixo do novo vulcão, vários processos tectônicos podem ter causado danos à litosfera, fazendo com que o magma fosse drenado através da crosta, produzindo uma série de terremotos durante este processo. Eventualmente, este material chegou ao fundo do mar, onde entrou em erupção, produzindo 5km³ de lava, formando o novo vulcão.

“Os volumes e o fluxo de lava liberada durante o evento magmático de Mayotte são comparáveis aos observados durante erupções nos pontos mais ativos da Terra. Desde a descoberta do novo vulcão, um observatório foi estabelecido para monitorar a atividade em tempo real”, escreveram os pesquisadores.

Com informações do portal ScienceAlert e do estudo publicado na Nature Geoscience.

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