Maior e mais velho organismo vivo do mundo pode estar morrendo, dizem cientistas

Nas montanhas Wasatch, na região oeste dos Estados Unidos, repousa o maior organismo vivo do nosso planeta. E não, nós não estamos falando de uma baleia azul ou de qualquer outro tipo de animal gigantesco que você possa imaginar. Na verdade, estamos nos referindo a uma árvore, que muito mais parece uma floresta inteira. Conhecido como ‘Pando’, esse imenso “bosque” é formado por álamos trêmulos (árvores também conhecidas como ‘Aspen’) e por mais que isso possa parecer loucura, na verdade ele é formado por uma única árvore, que se estende por quase 43 hectares. Ao todo, ‘Pando’ reúne mais de 47 mil troncos, só para se ter uma ideia da sua extensão.

Sem sombra de dúvidas, esta é uma prova viva (literalmente) da genialidade da natureza. Afinal de contas, um único sistema de raízes liga todas essas ramificações, que são geneticamente idênticas. E é exatamente essa igualdade nos padrões genéticos que dá a este bosque maravilhoso o status de um único organismo vivo. Os álamos trêmulos não são assim tão raros, mas na maioria das vezes eles ocupam áreas menores que 2 hectares. ‘Pando’, no entanto, é um gigante entre os seus semelhantes.

Lance Oditt/Friends of Pando

O problema é que, mesmo com todos os esforços do Serviço Florestal dos EUA, este incrível organismo pode estar morrendo aos poucos. Ainda que as árvores não corram o risco de serem derrubadas, já que são protegidas de perto pelas autoridades, outros seres vivos podem estar causando a morte de ‘Pando’. Mais especificamente, veados e alces estão literalmente comendo-o vivo, já que encontram nessa região um bom local para se alimentar, ao mesmo tempo em que conseguem se esconder de caçadores – que na maior parte do tempo não têm autorização para caçar neste local.

Naturalmente, quando as árvores mais velhas morrem ou caem, a luz atinge o solo da floresta e estimula o crescimento de novos troncos “clonados”. Porém, quando os animais comem os topos destes troncos recém-formados, eles acabam morrendo. Isso significa que, em alguns pontos, ‘Pando’ não está conseguindo se regenerar. Os caules mais velhos também estão sendo afetados por uma série de “doenças”, normalmente por conta da formação de fungos.

Lance Oditt/Friends of Pando

Como se isso já não fosse bastante, a mudança climática também ameaça a longevidade deste incrível organismo vivo. Pando surgiu após a última era glacial, e tem vivido com um clima bastante estável desde então. Como ele está localizado em uma região alpina, cercada por deserto, isso significa que ele não é totalmente estranho às temperaturas mais altas ou à seca. Porém, a mudança climática definitivamente ameaça a longevidade deste conjunto de árvores idênticas, bem como de todo o ecossistema que ela hospeda.

Ainda que nenhum estudo científico tenha se concentrado especificamente neste ser vivo, as povoações de álamos têm historicamente lutado contra as pressões relacionadas às mudanças climáticas. Entre os principais fatores de perigo, estão a redução do fornecimento de água e um clima mais quente no início do ano, o que faz com que seja mais difícil para as árvores formarem novas folhas. Isso, por sua vez, leva ao declínio do topo da “floresta”. Com vários fatores contribuindo para a elevação da temperatura, Pando certamente terá que lutar contra o risco de incêndios ao mesmo tempo em que tenta sobreviver a ameaças que ele já está enfrentando.

Mas não podemos deixar de destacar que Pando é um verdadeiro guerreiro, já tendo sobrevivido a várias mudanças ambientais. A principal delas quando os colonizadores europeus começaram a habitar a região, no século 19. Esta colônia de árvores “clonadas” já lidou com doenças, incêndios florestais e pastagem em outras épocas da história, e continua sendo o maior organismo cientificamente documentado em todo o mundo. E a maior esperança que nós temos é a continuidade do belo trabalho que vários grupos conservacionistas vêm empregando no sentido de proteger esta árvore e todo o seu ecossistema.


Com informações do ‘The Conversation‘ e do ‘ScienceAlert‘.

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