Juízo divino: A crueldade da prática medieval conhecida como ‘Ordália’

A religião faz parte da história da humanidade, e é impossível negar a sua importância ao longo das eras. E a verdade é que, em várias épocas diferentes, muitos atos violentos foram cometidos em nome de Deus ou em nome da fé. E a “ordália”, que também era conhecida como “juízo de Deus”, é um belo exemplo das atrocidades que eram cometidas em nome do divino. Há cerca de 800 anos, este tipo de provação era utilizado para testar a inocência de uma pessoa “aos olhos de Deus”.

Esta prática extremamente antiga tinha um caráter de julgamento, por meio do qual a inocência de um acusado era testada por pessoas ligadas à Igreja. A ordália foi adotada amplamente durante a Europa medieval, entre os séculos IX e XII, apesar de ter uma origem bem mais antiga, que remonta o ano de 1772 a.C, na época de Hamurábi.

Para a sociedade da época, Deus era a autoridade máxima na Terra, e por isso ele deveria ser acionado para “se manifestar” em casos onde não havia evidências ou testemunhas suficientes para culpar um acusado.

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Deus, na verdade, era convidado a participar de várias decisões da sociedade daquela época, seja por meio dos oráculos, da interpretação dos sonhos ou então por métodos de julgamento como a ordália. E entre os métodos de aplicação deste julgamento estavam o combate, o uso de água, o envenenamento, a crucificação, testes envolvendo fogos e diversas outras formas de tortura.

Apenas para dar um exemplo, alguns acusados eram obrigados a caminhar sobre o fogo durante um percurso de quase 3 metros, pegar um objeto dentro de um barril com água fervente ou então ingerir algum tipo de alimento de grande porte sem se engasgar. Se o acusado conseguisse sobreviver a essas provações, isso significava que Deus estava lhe inocentando.

Caso contrário, eles eram culpados. Obviamente, muitos decidiam admitir seus crimes antes da ordália, ainda que fossem realmente inocentes. Para eles, isso era melhor do que ser submetido a este tipo de julgamento cruel e desumano.

Estas práticas foram populares até o ano de 1215, quando o Papa Inocêncio III publicou um cânon proibindo que Deus fosse mencionado ou invocado pelos envolvidos nessas provações, deixando claro que a Igreja não apoiava essas práticas, e que Deus não tinha nada a ver com esses julgamentos violentos. De qualquer forma, muitas pessoas perderam a vida por causa da crueldade empregada pela ordália.

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