Japão aprova plano de cientista para criar “híbridos” de animais e humanos

O governo japonês está dando seu apoio a um cientista que trabalha para criar embriões de animais que contenham células humanas e, em seguida, os transplantem em animais substitutos. A decisão reverte uma lei do início deste ano, que proibia o procedimento.

O cientista Hiromitsu Nakauchi quer criar um pâncreas humano em roedores como ratos e camundongos, e o governo japonês, especificamente seu ministério de educação e ciência, emitiu novas diretrizes que abrem os procedimentos para qualquer um. Enquanto Nakauchi não é o único cientista envolvido, ele lidera o projeto.

“Finalmente, estamos em posição de iniciar estudos sérios neste campo depois de 10 anos de preparação”, disse ele ao jornal japonês Asahi Shimbun. “Não esperamos criar órgãos humanos imediatamente, mas isso nos permite avançar em nossa pesquisa com base no conhecimento que conquistamos até o momento.”

Nakauchi é professor designado no Instituto de Ciências Médicas da Universidade de Tóquio (IMSUT) e, desde 2008, é diretor do Centro de Biologia de Células-Tronco e Medicina Regenerativa. Nos EUA, ele lidera o Laboratório Nakauchi, em Stanford, que trabalha para “descobrir novas doenças, elucidar as causas das doenças e desenvolver modalidades terapêuticas” para essas doenças, segundo seu site.

No ano passado, Nakauchi submeteu um plano de pesquisa ao comitê de ética do IMSUT para injetar o que é conhecido como células-tronco pluripotentes induzidas, ou células iPs, nos óvulos fertilizados de porcos. As células iPs são retiradas do sangue ou das células da pele e depois reprogramadas, permitindo que elas se transformem em qualquer tipo de célula humana que a situação exigir. A equipe de Nakauchi gostaria de transformá-las em células pancreáticas.

O procedimento criaria embriões quiméricos humano-animal. Os cientistas criaram um embrião quimérico porco/humano em 2017 e um híbrido de carneiro/humano em 2018. Se tudo sair como o planejado, Nakauchi cultivaria um pâncreas humano adequado para transplante.

A pesquisa requer dois anos de monitoramento dos roedores depois que eles nascem. Em Stanford, Nakauchi colocou células iPS humanas dentro de óvulos de ovelhas fertilizados e transplantou os embriões para dentro do útero dos animais.

Uma experiência como a de Nakauchi nunca foi tentada no Japão e, de acordo com o Asahi Shimbun, as novas diretrizes só permitem a pesquisa “na condição prévia de que os pesquisadores tomem medidas apropriadas para impedir o nascimento de uma criatura ambígua que poderia ser humana”.

“O número de células humanas cultivadas nos corpos de ovelhas é extremamente pequeno, como um em milhares ou um em dezenas de milhares”, disse ele. “Nesse nível, um animal com um rosto humano nunca nascerá.”

Ainda assim, alguns cientistas questionam o uso de roedores.

“Se o objetivo de tais estudos é descobrir uma aplicação terapêutica para humanos, é improvável que experimentos em ratos e camundongos produzam um resultado útil, porque o tamanho do órgão não será suficiente e o resultado estará muito longe dos humanos anatomicamente”, disse o especialista Jiro Nudeshima. [Nature]

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