Quais são os efeitos do LSD?

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O LSD, sigla para Dietilamina do Ácido Lisérgico, é um entorpecente que, apesar de não ser tão popular como outras drogas, vem sendo utilizado de forma recreativa por vários curiosos ao longo dos últimos anos. De acordo com médicos e usuários, o “ácido”, como é vulgarmente chamado muitas vezes, provoca efeitos alucinógenos que nenhum outro tipo de entorpecente é capaz de provocar. Durante o tempo de ação da droga, o usuário pode enxergar coisas que definitivamente não estão ali, ter alucinações, ouvir vozes e enxergar cores extremamente vibrantes. Também são comuns os relatos de pessoas que pensam que as paredes estão “derretendo”, casas voando, entre outras coisas. A “viagem” provocada pelo LSD é chamada de ‘trip’, e possui duração variada, a depender da dosagem e do corpo de cada indivíduo. O problema é que, em alguns casos, esta viagem não é assim tão divertida, e pode se parecer muito mais com um pesadelo – o que os usuários chamam de ‘bad trip’.

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Recentemente, em uma publicação no site IFLScience, o autor ‘M. Tabu’ contou aos leitores sobre as experiências que teve durante um período de 30 dias recebendo microdosagens da droga. De acordo com Tabu, ele optou por dosagens menores para que sua cognição fosse levemente afetada, porém sem provocar as “trips’, que realmente alteram todo o funcionamento cerebral durante o efeito alucinógeno. Nunca é demais lembrar, porém, que você de forma alguma deve tentar reproduzir este experimento em sua casa, visto que o consumo da droga é ilegal e você pode colocar a sua vida, bem como a de terceiros, em risco.

A prática da microdosagem vem se tornando relativamente popular entre funcionários do Vale do Silício, nos EUA, que dizem que pequenas doses de LSD ajudam na inspiração e na criatividade, sem que ofereçam grandes prejuízos pelo outro lado.

Mas o que de fato acontece com 30 dias de microdosagens de LSD?

Segundo o relato de Tabu para o IFLScience, ele não percebeu nenhum tipo de melhoria drástica em sua criatividade profissional, e também não passou a se estressar menos com os aspectos mais “chatos” do seu trabalho, algo que ele esperava que poderia acontecer.

Usando a tecnologia do Teste de Torrance para Pensamento Criativo, no entanto, Tabu afirma que de fato sua pontuação aumentou um pouco, principalmente nas áreas de originalidade, riqueza de imagens, humor, entre outros fatores.

Esse teste consiste em criar uma imagem a partir de uma única linha vermelha, como você pode conferir nas ilustrações abaixo, publicadas por Tabu, no IFLScience.

M. Tabu/IFLScience

Uma semana depois, os desenhos começaram a ficar um pouco mais criativos.

M. Tabu/IFLScience

O desenho abaixo foi feito no dia 10, em mais um teste realizado sob o efeito da microdosagem.

M. Tabu/IFLScience

No dia 15, muitos questionamentos…

M. Tabu/IFLScience

No final do mês, Tabu admite que as coisas ficaram um pouco mais “sombrias”, como mostra esse desenho onde ele explica o que chama de “túnel da depressão”.

M. Tabu/IFLScience

Seu último desenho foi este, aparentemente explicando como os fósseis se separaram com o afastamento dos continentes.

M. Tabu/IFLScience

No que diz respeito ao humor, Tabu diz ter usado o “Beck’s Depression Inventory (BDI) e o Profile of Mood States (POMS), dois testes conceituados que ajudam a compreender o estado de humor de uma pessoa.

“Um dia antes da primeira microdose, eu fiz 5 pontos dentro dos 63 possíveis no BDI, sendo que qualquer número abaixo de 10 é considerado saudável. […]. No fim do meu experimento, fiquei surpreso ao perceber que a minha pontuação havia caído para 1”. Os resultados do POMS também indicaram uma melhoria no humor de Tabu durante o período do experimento.

Apesar dos testes terem apontado para melhorias em sua criatividade e humor, Tabu é reticente em afirmar que os resultados foram positivos.

Ele faz questão de lembrar que seu experimento dificilmente pode ser encarado com olhos científicos, visto que possui várias limitações, e leva em consideração apenas sua própria individualidade. Ele também afirma que não percebeu essas mudanças de forma prática, apesar delas terem aparecido no resultados dos testes.

Certamente, a ciência ainda precisa trabalhar mais no campo da microdosagem do LSD para definir que tipo de benefícios e prejuízos ela pode ocasionar.

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