Uma tarde comum em uma estação ferroviária da Alemanha terminou em tragédia quando Liana K., uma refugiada ucraniana de 16 anos, foi empurrada para os trilhos diante do próprio avô. O caso aconteceu em agosto, na estação de Friedland, no estado da Baixa Saxônia, e ganhou repercussão pela brutalidade do ataque e pela decisão judicial tomada meses depois.
Liana estava conversando com o avô quando foi atingida e caiu nos trilhos. Pouco depois, um trem de carga passou pelo local a cerca de 100 km/h. A adolescente morreu na estação, em uma cena que deixou familiares e testemunhas em choque.
O suspeito identificado no caso é Muhammed A., de 31 anos, iraquiano que havia pedido asilo na Alemanha. Segundo as autoridades, ele estava em situação irregular no país após ter o pedido negado e uma ordem de expulsão em vigor.
A decisão da Justiça

Ela foi empurrada para a frente de um trem de carga na estação de Friedland.
Apesar da morte de Liana, Muhammed A. não será julgado por assassinato da forma tradicional. Promotores afirmaram que ele sofre de esquizofrenia paranoide e que, por isso, não seria criminalmente responsável por seus atos no momento do ataque.
A Justiça decidiu que ele será mantido em uma instituição psiquiátrica de segurança, em vez de ser enviado para a prisão. O tribunal também considerou que ele representa perigo contínuo para a população.
Durante o processo, a defesa pediu absolvição, alegando que não havia provas suficientes para responsabilizá-lo pela morte da adolescente. Também destacou os diagnósticos psiquiátricos do acusado.
As autoridades, porém, apontaram evidências de DNA que ligariam Muhammed A. ao local. Segundo os promotores, vestígios foram encontrados no ombro de Liana. O caso teve uma dificuldade adicional: não havia câmeras ou testemunhas que tivessem registrado diretamente o momento em que ela foi empurrada.
No tribunal, o acusado não respondeu às acusações. Segundo relatos da imprensa local, ele reclamou de supostos maus-tratos por parte dos serviços de emergência que o contiveram no local. Também foi descrito como alguém que não demonstrou remorso visível durante a audiência.
A trajetória antes do ataque
Muhammed A. chegou à Alemanha em 2022 e pediu asilo. O pedido foi rejeitado, e ele deveria ter sido deportado naquele mesmo ano. Desde março de 2025, havia uma ordem de expulsão executável contra ele, mas ele continuava no país, hospedado no centro de asilo de Friedland.
Semanas antes da morte de Liana, ele chegou a ficar sob custódia em Hanover e deveria ser transferido para a Lituânia, país da União Europeia por onde teria entrado primeiro. O pedido, no entanto, foi recusado, e ele acabou sendo liberado de volta para a Baixa Saxônia.
Um dia antes do ataque, em 10 de agosto, Muhammed A. se internou voluntariamente na clínica Asklepios, em Göttingen. Ele deixou o local no mesmo dia, apesar da recomendação médica para permanecer em tratamento.
Liana era aprendiz na área odontológica e havia iniciado sua formação apenas dois meses antes. Sua mãe declarou à imprensa local: “Ela tinha grandes objetivos e planos para a vida.” Ao falar sobre o suspeito, acrescentou: “No começo, pensei que o autor agora receberia sua punição. Mas tenho medo de que ele escape alegando doença mental.”
A mãe também afirmou: “Depois de uma ‘recuperação’ em um hospital psiquiátrico, ele poderá continuar vivendo sem remorso e cometer novos crimes, sabendo que, da próxima vez, só precisará fingir estar mentalmente doente de novo.”
