Irã abre valas visíveis do espaço para enterrar vítimas do coronavírus

Imagens que estão circulando pela Internet nos últimos dias mostram que o Irã parece estar cavando uma grande quantidade de sepulturas, no que parece ser uma resposta às mortes causadas pelo novo coronavírus.

As imagens foram publicadas, entre outras fontes, pelo jornal estadunidense The New York Times, e de acordo com a imprensa foram feitas no dia 1º de março, pela companhia de satélites Maxar Technologies. De acordo com o que vem sendo noticiado, o satélite captou a imagem de duas grandes fileiras de sepulturas, com cerca de 90 metros, no cemitério de Behesht Masoumeh, próximo à cidade de Qom. Após comparar as imagens com fotos anteriores, fontes da imprensa passaram a afirmar que as escavações começaram a partir do dia 21 de fevereiro deste ano.

©2020 Maxar Technologies.
©2020 Maxar Technologies.

Este mesmo cemitério apareceu em um vídeo inicialmente publicado pela BBC Persian, onde homens aparecem carregando um caixão em meio a uma fileira de sepulturas. Uma investigação realizada pelo Washington Post confirmou que o cemitério onde o vídeo foi realizado é realmente o mesmo.

O Irã é o terceiro país com o maior número de casos confirmados da Covid-19, contabilizando 11.364 casos até as 21h30 (de Brasília) deste dia 13 de março de 2020, de acordo com o painel de monitoramento do novo coronavírus mantido pela Universidade John Hopkins. Até o momento, 514 mortes foram confirmadas, enquanto cerca de 2.900 pessoas se recuperaram da doença no país.

Entretanto, vídeos e imagens como essas compartilhadas recentemente levantam suspeitas de que o governo iraniano pode estar mentindo sobre a dimensão da epidemia no país. Antes mesmo da divulgação das imagens, o governo iraniano já vinha sendo denunciado por supostas negligências na adoção de medidas para evitar a propagação da Covid-19.

Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, o especialista Amir Afkhami, referência em história iraniana e saúde pública, afirmou que não se surpreende com as acusações. “Não me surpreende que eles (governo) estejam agora tentando criar cemitérios coletivos e tentando esconder a real dimensão do impacto da doença”, disse o especialista, que atua na Universidade George Washington, nos EUA.

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