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Humanoide misterioso pode ter vivido junto com ‘Lucy’

Uma espécie de humanoide recém-descoberta pode ser outra concorrente para o posto de antecessor da linhagem humana, dizem pesquisadores. Esta antiga espécie parece ter coexistido com a famosa Lucy, cerca de 3,4 milhões de anos atrás, revelando que uma diversidade de tais espécies humanóides viveu em comunhão certa vez. Antes de os seres humanos evoluírem, os pesquisadores acreditaram durante muito tempo que havia pouca ou nenhuma diversidade entre os hominídeos, que incluem seres humanos e espécies afins depois da separação evolutiva dos chimpanzés.

O hominídeo mais conhecido que viveu antes da evolução dos seres humanos era o Australopithecus afarensis, da África oriental, que viveu entre 2,9 e 3,8 milhões de anos atrás, e que incluía a famosa Lucy. Os cientistas há muito argumentam que hominídeos posteriores podem ter evoluído a partir desta espécie.

Ainda assim, fósseis descobertos nas últimas duas décadas têm sugerido que Lucy pode não ter vivido sozinha, como se pensava anteriormente. Por exemplo, uma equipe de pesquisadores sugeriu que uma mandíbula de 3,6 milhões de anos de idade do Chade pertencia a uma espécie que os pesquisadores nomearam de Australopithecus Bahrelghazali. Outro grupo de pesquisadores disse que pedaços de um crânio que remonta 3,4 milhões de anos, encontrado no Quênia, pertencia a uma espécie que os cientistas nomearam de Kenyanthropus platyops. No entanto, se estes fósseis pertenciam ou não a essas espécies tem sido um debate acirrado.

Agora, os cientistas descobriram uma nova espécie de hominídeo Australopithecus que eles nomearam ‘deyiremeda’, que viveu na Etiópia 3,3 a 3,5 milhões de anos atrás, coincidindo com o Australopithecus afarensis. Os pesquisadores dizem que estes resultados confirmam que várias espécies de hominídeos coexistiram durante este tempo.

“Anteriormente, a espécie de Lucy, o Australopithecus afarensis, não tinha concorrente como o ancestral de todos os hominídeos posteriores que evoluíram depois de 3 milhões de anos”, disse o principal autor do estudo, Yohannes Haile-Selassie, curador e diretor de antropologia física no Museu Cleveland de História Natural, ao portal americano ‘LiveScience’. “Agora, a nova descoberta mostra claramente que ela não era a única antepassada provável. Há muitos potenciais candidatos para ancestrais”.

O nome da espécie, ‘deyiremeda”, significa “parente próximo” na língua falada pelo povo Afar, que vive na área da descoberta. Os fósseis foram descobertos em 2011 em um local cerca de 50 quilômetros longe de sítios com idades semelhantes onde os cientistas descobriram espécimes abundantes de Au. afarensis.

“A região, hoje, é quente e seca. Você não vê muita vida que não seja do povo Afar e suas cabras e camelos”, disse Haile Selassie.

Os fósseis incluem dentes, um osso maxilar superior parcial e duas mandíbulas inferiores. O tamanho e forma dos dentes sugerem que pertencem aos Australopithecus, mas muitas outras características sugerem que os fósseis pertencem a uma nova espécie dentro desse gênero. Por exemplo, em comparação com Au. afarensis, os restos recém estudados mostraram mandíbulas mais espessas e esmalte dos dentes mais grossos.

Os cientistas detalharam suas descobertas em 28 de maio na revista Nature. [LiveScience]

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