Homem tinha 29 bonecas em sua casa, mas nenhuma delas era de brinquedo

por Lucas Rabello
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Homem tinha 29 bonecas em sua casa, mas nenhuma delas era de brinquedo

Em 2011, a polícia russa entrou em um apartamento em Nizhny Novgorod e encontrou uma cena que parecia impossível de explicar à primeira vista. Espalhadas pelos cômodos havia figuras vestidas como bonecas, com roupas, maquiagem, perucas e acessórios. Só depois os investigadores confirmaram que aquelas figuras não eram bonecos comuns, mas restos mortais humanos retirados de cemitérios.

O caso envolvia Anatoly Moskvin, um historiador, linguista e pesquisador conhecido por estudar cemitérios e tradições funerárias. Ele era considerado uma pessoa culta, falava vários idiomas e tinha interesse profundo por rituais ligados à morte. Esse conhecimento, no entanto, acabou ligado a uma das descobertas criminais mais perturbadoras da Rússia recente.

Segundo as autoridades, Moskvin era acusado de violar túmulos e levar corpos para o apartamento onde vivia. As vítimas eram principalmente crianças e jovens do sexo feminino. O número exato varia conforme diferentes relatos, mas as informações mais citadas mencionam 26 ou 29 corpos encontrados dentro da residência.

A descoberta no apartamento

Os investigadores chegaram até Moskvin durante uma apuração sobre violações em cemitérios da região. Ao entrar no imóvel, encontraram os corpos preservados e caracterizados como se fossem bonecas em tamanho real. Alguns estavam vestidos com roupas coloridas, outros tinham maquiagem, máscaras ou perucas. Havia também tecidos, enchimentos e objetos usados para manter a aparência das figuras.

O choque do caso não estava apenas na quantidade de corpos, mas na forma como eles eram mantidos. De acordo com relatos da investigação, Moskvin parecia tratar aquelas figuras como parte de sua rotina doméstica. Ele teria desenvolvido forte apego emocional por elas e mantido hábitos ligados às datas de nascimento e morte das vítimas.

Outro detalhe que chamou atenção foi a presença dos pais dele no mesmo imóvel. Segundo reportagens da época, eles não teriam entendido completamente o que havia dentro da casa. Acreditavam que as figuras faziam parte de uma coleção incomum ou de algum tipo de decoração pessoal do filho.

Um dos muitos cadáveres femininos descobertos na casa de Moskvin.

Um dos muitos corpos femininos descobertos na casa de Moskvin.

O perfil de Anatoly Moskvin

Antes da descoberta, Moskvin era conhecido como um estudioso de cemitérios. Ele pesquisava lápides, histórias familiares, túmulos antigos e costumes funerários. Essa proximidade com cemitérios acabou se tornando uma parte central da investigação, já que ele conhecia bem os locais de onde os restos mortais teriam sido retirados.

Durante o processo, surgiram relatos sobre crenças pessoais envolvendo morte, ciência e espiritualidade. Algumas reportagens afirmaram que ele acreditava na possibilidade de devolver vida às vítimas, mas esse ponto aparece principalmente ligado a declarações atribuídas a ele e interpretações de seu estado mental.

Após avaliações médicas e psiquiátricas, Moskvin foi diagnosticado com transtornos mentais graves. A Justiça russa o considerou inimputável, ou seja, incapaz de responder criminalmente como uma pessoa plenamente consciente de seus atos. Em vez de uma condenação comum, ele foi enviado para tratamento compulsório em uma instituição psiquiátrica especializada.

O caso continuou repercutindo ao longo dos anos, especialmente porque familiares das vítimas pediram que os corpos fossem devolvidos para sepultamento adequado. Enquanto isso, Moskvin permaneceu sob custódia médica, com revisões periódicas sobre seu estado psiquiátrico e sua permanência em internação.

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