Gêmeos fizeram uma dieta vegana e onívora. Depois compararam os resultados

Os gêmeos, por compartilharem identidades genéticas iguais, são muito utilizados em estudos que buscam analisar o impacto de abordagens diferentes às mais variadas situações. Recentemente, os irmãos gêmeos Hugo e Ross Turner decidiram testar qual é, de fato, o impacto que uma dieta vegetariana pode ter em uma pessoa, em comparação com uma dieta onívora (que inclui tanto a carne como vegetais).

Em entrevista ao ‘Insider’, os irmãos contaram que gostaria de testar de fato os efeitos destas dietas, já que muitas vezes as opiniões que encontramos sobre o tema são carregadas de “achismo”. “Nós queremos eliminar o viés e as opiniões pessoais e analisar o nível genético. Nós podemos envolver a ciência nisso pois somos gêmeos e geneticamente idênticos. Por isso, podemos nos comparar em situações extremas”, explicou Ross Turner, um dos irmãos.

O dia a dia dos irmãos foi acompanhado de perto por pesquisadores do King’s College, que durante toda a duração do experimento anotaram informações como peso, colesterol e massa muscular. Ao mesmo tempo, os dois irmãos relatavam periodicamente como estavam se sentindo. Para analisar como realmente a dieta pod afetar o corpo de uma pessoa, ambos passaram a frequentar academias pelo menos 5 vezes na semana, utilizando um treinamento planejado por Ross, que é personal trainer.

Pixabay

Além disso, os Turners tomaram o cuidado de, apesar de estarem ingerindo alimentos de tipos diferentes, consumir o mesmo número de calorias ao longo do dia.

Vamos aos resultados:

Essa é a foto dos irmãos Hugo (à esquerda) e Ross (à direita) após o experimento, que durou 12 semanas. | Créditos: Insider.

Antes de abandonar totalmente o consumo de produtos de origem animal para fins científicos, Hugo pesava 84kg, com 13% de gordura corporal. De acordo com os registros, o rapaz chegou a perder 4kg, mas eventualmente voltou a ganhar alguns quilos e encerrou o estudo pesando 82kg. Os exames médicos realizados ao final da pesquisa mostram também uma melhora nos índices de colesterol. No que fiz respeito à parte da avaliação pessoal, Hugo relatou se sentir mais enérgico e disposto, em comparação com a forma como se sentia anteriormente, em sua dieta normal. “Com a dieta vegetariana meu foco mental era muito maior. Eu não tinha aquelas quedas de energia normais do meio da tarde, e me sentia mais disposto”, contou o rapaz ao ‘Insider’.

Em contrapartida, Hugo afirma que sentiu sua libido um pouco mais baixa que o normal após a mudança na dieta. Vale ressaltar, no entanto, que os irmãos não realizaram exames de sangue durante a pesquisa. Isso dificulta a interpretação científica do relato de Hugo, já que para tentar traçar uma relação entre a mudança na dieta e uma queda na libido, seria crucial pelo menos um monitoramento nas suas atividades hormonais.

Do outro lado do experimento, Ross, o irmão que ficou encarregado de manter a dieta onívora, apresentou resultados também interessantes. Ross sempre foi um pouco maior que seu irmão gêmeo, e isso acabou sendo levemente amplificado durante o estudo. Os treinamentos intensos deram ao rapaz cerca de 4,5kg de músculo, e apenas algo em torno de 1,8kg de gordura. Ao final do estudo, ele pesava 85kg. Além disso, seus índices de colesterol permaneceram quase imutáveis durante a pesquisa.

Mudanças na microbiota intestinal

Ainda que Ross tenha mantido a dieta onívora, que faz parte da sua vida normalmente, ele mudou um pouco a forma como se alimentou durante o estudo. Principalmente adicionando maior variedade de alimentos. Para Hugo, no entanto, a mudança foi mais radical. Acostumado a ingerir proteína animal, ele trocou sua alimentação para uma mais baseada em produtos como o tofu, jaca e tempeh. “Em uma dieta vegetariana, você precisa compensar a sua alimentação com variedade, então eu passei a comer coisas que eu não estava acostumado”, explicou Hugo.

Por conta disso, e com base em análises realizadas em amostras fecais dos gêmeos, a microbiota intestinal de Hugo sofreu alterações consideráveis. Isto é, os tipos de bactérias benéficos no seu sistema digestivo alteraram como reflexo das mudanças alimentares. De acordo com os pesquisadores que acompanharam o estudo, essas mudanças têm o potencial de reduzir os riscos do desenvolvimento de algumas doenças, como o diabetes de tipo 2 e a obesidade. Ao mesmo passo, os dois irmãos perderam um pouco de diversidade bacteriana no organismo, o que por sua vez pode ter um efeito negativo, diminuindo as defesas imunológicas para certos tipos específicos de enfermidades, como a Doença de Crohn.

Ao final das 12 semanas de estudo, os garotos contaram ao ‘Insider’ que, no futuro, podem pensar em refazê-lo, desta vez com uma duração um pouco maior. E além de toda a contribuição científica da pesquisa, os irmãos afirmam que mudanças alimentares, principalmente a adoção de uma dieta vegetariana, “amplia os horizontes culinários”, e representa um belo e proveitoso desafio para qualquer um.

“Manter uma dieta vegetariana possui seus benefícios, assim como manter uma dieta carnívora. Eu não acredito que uma seja melhor do que a outra. Nós vamos manter uma mistura das duas, deixando de comer carne em alguns dias e adicionando mais comidas vegetarianas em nossa dieta, comendo carne em menor quantidade, porém melhor qualidade. Nós retiramos o melhor de cada um desses mundos”, resumiu Hugo.

você pode gostar também
Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.