Mercado de frutos do mar pode não ter sido ponto inicial do coronavírus

Desde os primeiros casos de Covid-19, os especialistas tentam entender qual foi o “marco zero” do surto envolvendo o novo coronavírus. Uma das principais suspeitas dos cientistas é que a Feira de Frutos do Mar de Huanan tenha tido um papel importante no início dos contágios. Isso porque cerca de 66% dos primeiros casos verificados da doença na China envolviam pessoas que tiveram contato direto com a feira. Isso ficou constatado em um estudo publicado pelo ‘The Lancet’ no final de janeiro deste ano, tratando dos primeiros 41 pacientes que chegaram aos hospitais chineses apresentando uma pneumonia causada por uma misteriosa infecção viral, que depois constatou-se que se tratava da Covid-19.

De acordo com algumas fontes ainda não confirmadas, a Feira de Huanan comercializava, além de frutos do mar, uma grande quantidade de animais exóticos, muitos ainda vivos, como camelos, filhotes de lobo, civetas, pavões, entre outros. No entanto, muitos defendem que essas acusações não passam de preconceitos carregados de xenofobia contra o povo chinês.

Agora, uma nova pesquisa do ‘The Lancet‘ aponta que o primeiro caso reportado de Covid-19 na China, ocorrido em 1º de dezembro de 2019, envolvia um paciente que na verdade nunca esteve na feira. De acordo com o Wu Wenjuan, coautor da pesquisa, o paciente era um homem idoso que vivia longe da feira, e que justamente por estar doente não saía muito de casa. E este não é o único estudo a levantar uma outra hipótese sobre a origem do surto.

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Uma outra pesquisa, publicada na ‘Nature’, analisou a sequência de DNA de várias cepas de coronavírus, incluindo o SARS-CoV-2, e descobriu que provavelmente esses patógenos estão circulando entre os seres humanos há um bom tempo, inicialmente sem causar sintomas. Isso significar que o SARS-CoV-2 já estava presente entre seres humanos antes dos pacientes que estiveram na feira de frutos do mar chegarem ao hospital.

“O cenário de alguém sendo infectado antes da feira e depois levando o coronavírus para dentro dela é um dos três cenários que nós consideramos consistentes com os dados que temos”, disse Kristian Andersen, biólogo do Scripps Research Institute, em entrevista ao ‘Science‘. “Isso é totalmente plausível com as informações que temos”.

O que as pesquisas não nos dizem é onde, então, foi o ponto de partida do contágio. Saber isso pode ser importante para que as autoridades do mundo inteiro possam evitar novas pandemias, mas pouco ainda sabemos sobre as reais origem da Covid-19.

Fonte: IFLScience.

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