Estudo preliminar sugere que há pelo menos duas cepas do novo coronavírus

Um novo estudo com foco no SARS-CoV-2, coronavírus responsável pela Covid-19, aponta que o vírus pode ter pelo menos duas cepas diferentes, capazes de infectar os seres humanos. Trata-se de um estudo preliminar, que analisou apenas 103 amostras, mas ainda assim pode ser um ponto de partida importante para o desenvolvimento de uma vacina.

O estudo foi publicado na ‘National Science Review‘, pertencente à Academia Chinesa de Ciências. Segundo os pesquisadores, as duas cepas encontradas diferem-se apenas por um par de nucleotídeos. Um dos tipos, que recebeu como nome a letra “S”, parece menos agressivo, enquanto que o tipo “L” aparentemente é o que está sendo responsável pelas infecções ao redor do mundo. Este tipo, mais perigoso, infecta cerca de 70% dos pacientes com Covid-19.

O estudo afirma que o SARS-CoV-2 do tipo “L” parece ter sido o mais comum durante o surto inicial, em Wuhan. Entretanto, ele começou a perder força a partir de janeiro. Desde então, os cientistas acreditam que a intervenção humana tenha feito com que o vírus se tornasse mais agressivo.

“Este normalmente é o caso quando os vírus RNA cruzam barreiras de espécies e chegam aos seres humanos. Neste momento, os patógenos ainda não estão bem adaptados ao novo hospedeiro. Portanto, eles passam por um período de mudanças e adaptações, com o intuito de se reproduzirem melhor e se espalhar de pessoa para pessoa”, disse Stephen Griffin, professor associado da Universidade de Leeds, em entrevista ao ‘Science Media Center’. “Mas esse estudo não testou a aptidão desses vírus quando eles se replicam em células humanas ou em um modelo animal. Realmente, não é possível afirmar se isso aconteceu com o SARS-CoV-2. Também é difícil dizer se (e como) a interferência humana impactou o coronavírus”.

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A equipe responsável pelo novo estudo disse que novas pesquisas devem ser feitas com o intuito de analisar as combinações genéticas do vírus, além de catalogar seus dados epidemiológicos e sintomáticos, para garantir que os profissionais da saúde estejam bem preparados para enfrentar duas cepas distintas do vírus, caso elas realmente se confirmem.

“Não tenho certeza de que essa variabilidade está relacionada a um declínio viral, ou se essa informação pode ser usada para saber se alguém está em risco maior de sucumbir ao vírus. Esta segunda pergunta certamente depende de vários fatores, como a “força” do vírus, a genética do hospedeiro, a idade, condições subjacentes, condição imunológica e fatores ambientais”, concluiu Griffin.

Às 9h20 (de Brasília) do dia 16 de março de 2020, o número de casos confirmados de Covid-19 no mundo inteiro era de 169.387. Destes, 77.257 haviam se curado totalmente, enquanto 6.513 perderam a vida para a doença. Os dados são do painel interativo do coronavírus desenvolvido pela Universidade John Hopkins.