Estudo sugere que Brasil confirma apenas 11% dos casos totais de Covid-19

De acordo com as últimas informações oficiais, o Brasil tem 1965 casos confirmados de Covid-19, número que vem crescendo consideravelmente nos últimos dias. Entretanto, de acordo com uma nova pesquisa, a realidade pode ser ainda pior. De acordo com um levantamento feito pela London School of Tropical Medicine, do Reino Unido, o Brasil teria confirmado apenas 11% do total de casos de infecção por coronavírus. A pesquisa em questão investigou a capacidade de teste da doença de vários países ao redor do mundo, em uma tentativa de mapear quantos casos podem estar sendo “negligenciados”.

Uma forma de explicar este fenômeno é a falta de sintomas em várias pessoas (aproximadamente 80%) infectadas pelo coronavírus. No Brasil, por exemplo, são testadas somente aquelas pessoas que apresentam sintomas compatíveis com a doença e buscam ajuda médica.

O epidemiologista Roberto Medronho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, conversou com o portal ‘InfoMoney‘, e explicou que não necessariamente esta incapacidade de testar todos os infectados representa uma falha do sistema de saúde.

“Estamos vendo a ponta de um grande iceberg. As minhas estimativas eram bem similares, cerca de 10%, mas isso não é, necessariamente, uma falha do sistema. Dentre os casos que apresentam sintomas, apenas uma parte procura o sistema de saúde. Desses que vão os hospital, apenas uma parte é diagnosticada com Covid-19, e outra parte pode receber um diagnóstico errado. E ainda há casos que não são notificados oficialmente”, explicou o epidemiologista, que não participou do estudo, à ‘InfoMoney‘.

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Fato é que o Brasil, em última análise, não está adotando a recomendação da Organização Mundial da Saúde, (OMS), que defende que as populações de cada país sejam testadas em massa. O problema, no entanto, é que por se tratar de um país de tamanho praticamente continental, com 210 milhões de habitantes, este objetivo se faz um tanto difícil para o Brasil.

Em outros países, que possuem outra realidade, como a Alemanha e a Coreia do Sul, o mesmo estudo apontam que as taxas de detecção da doença estão em 75% e 88%, respectivamente. Nestes dois casos, grande parte da população foi testada pelos órgãos de saúde, mesmo sem a presença de qualquer sintomas.

“Este levantamento mostra que a estratégia de testagem em massa e isolamento daqueles que testam positivo tem um grande impacto na redução da curva de crescimento da doença”, explicou Medronho.

Vale ressaltar que o estudo em questão ainda não foi publicado em nenhuma revista científica, o que significa que suas descobertas não foram colocadas à prova de outros cientistas da área – o que deve acontecer nas próximas semanas.

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