Essa espécie de lagostim mutante está clonando a si própria, espalhando-se pelo mundo

Uma equipe internacional de pesquisa fez uma descoberta incrível recentemente, depois de sequenciar o DNA da espécie conhecida cientificamente como Procambarus virginalis. Ao final do sequenciamento da espécie, que possui o nome popular de “lagostim do mármore”, a equipe se deu conta de que todos os indivíduos existentes hoje em dia pertencentes a esta espécie são descendentes de uma única fêmea, que fora criada em cativeiro.

Por mais bizarro que isso possa parecer, a fêmea mencionada passou por uma mutação ao longo da sua vida, que lhe permitiu começar a se reproduzir de forma assexuada, literalmente clonando a si mesma.

Os clones produzidos estão há três décadas produzindo suas próprias cópias, e se expandindo pelo mundo. Um dos coautores do estudo, Frank Lyko, do Centro Alemão de Investigação em Câncer, chamou o fenômeno de “invasão dos clones”. E o apelido não é em vão.

Essa espécie de lagostim está clonando a si própria, espalhando-se pelo mundo
Chris Lukhaup/DKFZ

Isso porque o lagostim de mármore é considerado uma espécie extremamente invasora, que já ocupa várias regiões da Europa, África e Ásia, ameaçando os ecossistemas que já existiam por esses lugares. Segundo Lyko, que também foi responsável por descrever a espécie, em 2015, ainda não temos como dizer exatamente como esse fenômeno começou.

“Os então chamados lagostins do Texas se propagaram rapidamente em um aquário. Eram grandes e esteticamente agradáveis, o que os tornou populares entre os aquaristas”, escrevey Lyko em um blog. Logo depois da popularização da espécie, os pesquisadores perceberam que um único indivíduo podia produzir centenas de ovos de uma só vez.

Não demorou muito para que o Procambarus viginalis estivesse disponível em praticamente todas as lojas de aquarismo do mundo, e ao que tudo indica muitos compradores acabaram liberando esses animais na natureza. “Um único indivíduo fundou toda uma espécie, e agora temos bilhões deles em todo o mundo”, disse o neurocientista Wolfgang Stein à revista National Geographic.

Entre os anos de 2007 e 2017, a equipe responsável pela pesquisa recentemente publicada, analisou a incidência do Procambarus virginalis em várias partes do mundo. Só para se ter uma ideia, a equipe estima que a população desta espécie em Madagascar, por exemplo, aumentou em 10 vezes, deixando de ocorrer em uma área de apenas 1000km² para ocorrer em uma grande área de 100 mil km².

Em uma tentativa de controlar o aumento da população destes animais, a União Europeia e os EUA proibiram a criação do animal em cativeiro. Mesmo assim, Lyko, que atua em várias pesquisas sobre o câncer, acredita que o fenômeno protagonizado por esta curiosa espécie pode ajudar em futuras pesquisas sobre a doença.

“Estamos vendo, em câmera lenta, durante a evolução desses animais, algo que acontece durante as primeiras etapas da formação de um tumor”, disse Lyko ao National Geographic, referindo-se ao fato de que o câncer também é, por si só, uma mutação nas células.


Com informações da BBC.

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