Conheça o ‘Zé’, esqueleto de mais de 4 mil anos de idade encontrado no RS

O município de Maquiné, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul, possui pouco menos de 7 mil habitantes, e não está entre as cidades litorâneas mais visitadas do estado. Mesmo assim, o local possui uma grande importância para a arqueologia do Rio Grande do Sul, e do Brasil como um todo.

Foi lá que, em 1960, um grupo de pesquisadores descobriu um antigo esqueleto, durante uma escavação. A ossada chamou a atenção dos arqueólogos, e foi encaminhada para análise no Instituto Smithsonian, de Washington, nos Estados Unidos. De acordo com os especialistas americanos, a ossada tinha algo entre 4 mil e 6 mil anos de idade.

O esqueleto é desde então preservado pelo Museu Arqueológico do Rio Grande do Sul, localizado no município de Taquara, e ele é uma das principais atrações da instituição.

Esqueleto de Zé, mantido no Museu Arqueológico do Rio Grande do Sul | Divulgação/RBS Notícias

De lá para cá os cientistas se dedicaram a coletar o máximo possível de informações sobre o esqueleto, que recebeu o apelido de ‘Zé’. Já se sabe, por exemplo, que se trata de um homem que morreu entre os 40 e 50 anos de idade, e que o esqueleto apresenta fraturas na coluna e na clavícula. Segundo os especialistas, essas lesões indicam que Zé provavelmente vivia em grupo, já que com esses ferimentos, dificilmente sobreviveria sozinho.

“Era um caçador, coletor. Fabricava seus artefatos com base em pedras, em lascamentos. Se encontrou muitas pontas de flechas, o que faz com que se perceba que era um indivíduo que buscava a caça”, explicou a historiadora Carla Renata Gomes.  Além disso, ao que tudo indica, ‘Zé’ era indígena, com aparência provavelmente misturando características asiáticas e africanas.

Falando em aparência, o designer Cícero Moraes, que é um especialista na reconstrução facial forense, se dedicou recentemente a dar um rosto ao homem encontrado. Cícero utilizou uma técnica chamada de fotogrametria, que usa dezenas de fotos para criar uma imagem de três dimensões, posteriormente utilizada para recriar a face.

Crédito: Cícero Moraes

“O processo de reconstrução facial inicia a partir do momento em que as fotos do crânio são enviadas a um algoritmo computacional, que faz a digitalização 3D, ou seja, converte essa sequência de fotos em um elemento, em um objeto 3D compatível com o crânio original”, explicou o artista gráfico.

O trabalho de Cícero é importantíssimo para a história do Rio Grande do Sul, principalmente por conta da ligação entre o povo gaúcho e os povos indígenas. Inclusive, no município de Maquiné, ainda é bastante forte a presença destes povos.

“O movimento tradicionalista gaúcho nunca negou sua herança indígena, a sua ancestralidade indígena no modo de ser, nos hábitos, na alimentação. Essa relação da cultura material existe. Reconhecer o rosto agora, um rosto de 6 mil anos, faz referência a essa ancestralidade do Rio Grande do Sul”, disse Gustavo Wagner, coordenador do curso de arqueologia da Universidade Federal de Pelotas.

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