Essas são as 7 “falhas de projeto” do corpo humano

Todos nós sabemos que os gregos eram obcecados com o corpo matematicamente perfeito. Mas, infelizmente, para qualquer um que ainda persegue esse ideal, não teríamos sido criados por Pigmalião, o escultor mítico que esculpiu uma mulher perfeita, mas provavelmente pelo MacGyver: ou seja, somos uma gambiarra da natureza que deu certo.

A evolução construiu nossos corpos com o equivalente biológico da fita adesiva e dos restos de madeira. E a única maneira de refinar a forma é manipular o modelo atual: “A evolução não produz perfeição”, explica Alan Mann, antropólogo físico da Universidade de Princeton, “Produz função”.

Com isso em mente, anatomistas e biólogos listaram algumas “falhas” que o corpo humano possui em sua estrutura. Veja só:

1 – Espinha dorsal

A coluna humana, em essência, é uma bagunça. É uma maravilha que possamos até andar, diz Bruce Latimer, diretor do Centro de Origens Humanas da Case Western Reserve University, em Cleveland. Quando nossos ancestrais andavam de quatro, suas colunas se curvavam, como um arco, para suportar o peso dos órgãos suspensos abaixo.

Mas então nos levantamos e a espinha foi forçada a se tornar uma coluna. Em seguida, para permitir o bipedismo, ela se curvou para a frente na parte inferior das costas. E para manter a cabeça em equilíbrio, a parte superior da coluna curvou-se na direção oposta. Essa mudança colocou uma pressão tremenda nas vértebras inferiores, causando dor lombar em cerca de 80% dos adultos.

2 – Um joelho inflexível

Como Latimer disse: “Você pega a articulação mais complexa do corpo e a coloca entre duas alavancas enormes – o fêmur e a tíbia – sem dúvida haverá problemas”. O resultado é que seu joelho gira apenas em duas direções: para frente e para trás. É por isso que na maioria dos esportes é legal atingir ou acertar o joelho de um adversário do lado.

3 – Pelve muito estreita

Dar à luz dói muito. E, para piorar, a largura da pélvis de uma mulher não mudou por cerca de 200 mil anos, impedindo o crescimento de nossos cérebros.

4 – Dentes acavalados

Os humanos normalmente têm três molares de cada lado das mandíbulas superior e inferior, perto da parte posterior da boca. Quando nosso cérebro expandiu drasticamente em tamanho, a mandíbula ficou mais larga e mais curta, não deixando espaço para o terceiro e mais distante dos molares posteriores. Esses moedores podem ter sido úteis antes de aprendermos a cozinhar e processar alimentos. Mas agora os sisos geralmente precisam ser – dolorosamente – removidos.

5 – Retina voltada para a parte de trás

As células fotorreceptoras da retina são como microfones voltados para trás, escreve Nathan Lents, professor associado de biologia molecular da Universidade da Cidade de Nova York. Esse design força a luz a percorrer o comprimento de cada célula, bem como através do sangue e do tecido, para alcançar o equivalente a um receptor no lado de trás da célula. A instalação pode encorajar a retina a se desprender de seu tecido de suporte – uma das principais causas de cegueira. Também cria um ponto cego onde as fibras celulares, como os cabos de um microfone, convergem no nervo óptico – fazendo o cérebro preencher o buraco.

6 – Uma caixa de voz fora do lugar

A traqueia e o esôfago abrem-se no mesmo espaço: a faringe, que se estende do nariz e boca até a laringe (caixa de voz). Para manter a comida fora da traqueia, um retalho em forma de folha chamado epiglote cobre reflexivamente a abertura da laringe sempre que você engole. Mas às vezes, a epiglote não é rápida o suficiente. Se você estiver conversando e rindo enquanto come, a comida pode escorregar e ficar presa em suas vias aéreas, fazendo com que você se engasgue.

7 – Um cérebro disfuncional

O cérebro humano evoluiu em etapas. Como novas adições estavam sendo construídas, partes mais antigas tinham que permanecer ativas para nos manter em funcionamento, explica o psicólogo Gary Marcus em seu livro Kluge: The Haphazard Evolution ofthe Mind. E esse projeto de construção levou a soluções alternativas. É como se o cérebro fosse um local de trabalho disfuncional, onde funcionários jovens (o prosencéfalo) lidavam com tecnologias inovadoras, como a linguagem por exemplo, enquanto a velha guarda (o mesencéfalo e o rombencéfalo) supervisionava a memória institucional. Alguns resultados: depressão, loucura, memórias não confiáveis e auto-engano.

[Nautilus]

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