Essas 10 regras absurdas eram perfeitamente comuns na Era Vitoriana

A Era Vitoriana sem dúvida é lembrada por todos por um período de ascensão da nobreza. Marcada pelo reinado da Rainha Victoria, uma série de regras de etiqueta e bons modos eram implantadas, sob as quais as pessoas deveriam viver.

Por mais bela que a época pareça ser, não podemos negar que existiam preceitos totalmente malucos, os quais jamais seguiríamos nos dias de hoje. Essas 10 regras absurdas eram perfeitamente comuns na Era Vitoriana, que talvez mude sua opinião sobre a época:

10 – Os vitorianos acreditavam firmemente na importância de usar a roupa apropriada em todas as ocasiões

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E, enquanto no início do século XIX (a época de Jane Austen) os vestidos das mulheres eram bastante simples, na época vitoriana os vestidos eram volumosos e visavam favorecer as formas. A menina comum precisava de muitos estilos de vestido em seu armário, incluindo vestidos para bailes, jantares, passeios a pé e passeios de carruagem, além vestidos para o dia e vestidos para a noite.

Regras rígidas eram estabelecidas e as mulheres deveriam usar preto em sinal de luto por um marido, filho, irmão, etc.

Sem dúvida, o item mais famoso ridículo do guarda-roupa de uma mulher vitoriana era a crinolina – amplas gaiolas de cúpula de aço para manter a saia longe das pernas das mulheres. Era muito difícil passar por espaços pequenos, mas cada senhora da alta classe social deveria usar. Posteriormente surgiu os crinolettes, que apoiavam apenas a parte traseira do vestido.

Mas talvez nenhum outro artigo de vestuário representasse melhor os vitorianos do que o bom e velho espartilho (ou corset), que era essencial para uma mulher da época. Essas roupas íntimas apertadas ajudavam a deixar a postura ereta e até mesmo passava um sentimento de “respeito” ao próximo. Na verdade, os corsets eram onipresentes entre as mulheres de todas as classes sociais.

9 – Regras comportamentais

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Diretrizes rígidas governavam a interação social em passeios e vias públicas, especialmente entre os sexos opostos. Uma jovem solteira não saía sem companhia. A etiqueta proibia as moças de olhar ao redor para conhecidos ou parar para conversar em uma rua lotada.

De acordo com o Cassell’s Household Guide, um livro abrangente sobre a vida vitoriana publicado em 1869, se a jovem visse um cavalheiro amigo e sentisse que não poderia ignorá-lo, ela teria que tomar a iniciativa e oferecer-lhe a mão. O cavalheiro teria que esperar que a senhora o reconhecesse antes de levantar o chapéu (não apenas tocando a borda dele) e ainda deveria escolher a mão mais distante do corpo dela para beijar, como também deveria acompanhá-la pelo resto do caminho.

E, acima de tudo, a conversa em si devia ser reservada:as pessoas jamais poderiam falar de maneira animada e tudo deveria ser o mais neutro possível.

Um cavalheiro também nunca fumava na presença de uma senhora. Na verdade, seria indelicado que as senhoras “detivessem os cavalheiros em conversa” enquanto fumavam, porque isso os forçaria a apagar o charuto.

Somente em circunstâncias extremas era executada a prática de “cortejar”, na qual alguém olha diretamente para outro alguém mesmo sem sinal algum de reconhecimento. Cassell chamou isso de “o ato mais mal-educado possível de se cometer na sociedade”.

Em um passeio de carruagem, um cavalheiro nunca sentou ao lado de uma senhora que não fosse da família. Ele sempre sentava de costas para os cavalos, ficando de frente à senhora. Um cavalheiro também deveria tomar cuidado para não pisar no vestido de uma dama, sempre ajudando-a a descer.

8 – A forma de falar

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As apresentações apropriadas eram importantes para as pessoas da época, porque era considerado geralmente impróprio dirigir-se a alguém a quem você não tinha sido apresentado formalmente. As pessoas de classe social inferior deveriam ser apresentadas aos superiores por alguém, exceto as senhoras que sempre deveriam ser apresentadas, independentemente de sua classe social.

Assim, nas introduções vitorianas, era sempre necessário mencionar sua ordem de precedência, grau de parentesco com alguém, principalmente se era alguém notável.

As classes eram intituladas em duas ordens: a nobreza (que incluía duques, marqueses, condes, viscondes e barões) e, abaixo deles, os baronetes e os cavaleiros.

Para nobreza geralmente utilizava-se o pronome “Senhor” (Lord) para os homens e “Senhora” (Lady) para dirigir-se às mulheres. Para falar com os baronetes e cavaleiros geralmente utilizava-se “Sir”. Todavia, Lord e Lady também eram usados como títulos de cortesia, para homens e mulheres não pertencentes a nobreza. Em contraponto, na escrita era frequente o uso de títulos como “O mais nobre” ou “O honorável” para referir-se às pessoas de classes mais altas.

7 – Como eram feitas as visitas

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Na Era Vitoriana, mesmo as pessoas que não gostavam de receber visitas deveriam sempre estar dispostas, bem vestidas e o mais importante: as mulheres deveriam estar em casa.

Era extremamente grosseiro ir visitar uma pessoa antes das 15h da tarde, pois o horário das visitas era sempre na hora do chá da tarde – que variava entre 15h e 17h.

Em caso de maior intimidade e tratar-se dos parentes da família, era comum que o horário variasse, porém era algo que a família se combinava antes.

Para sinalizar que não ficaria muito tempo, os homens deveriam retirar seus chapéus e mantê-los por perto, preferencialmente sobre um móvel – só não poderia deixá-los em cadeiras ou no chão, o que era considerado totalmente vulgar.

Geralmente quando a visita era mais longa, era oferecido um suporte para que o chapéu fosse pendurado.

Na hora de ir embora, de acordo com o Cassell’s Household Guide também era considerado deselegante balançar as mãos para se despedir, de modo que todo tipo de saudação deveria ser muito sutil.

6 – Anunciando visitas

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Agora, se você chegou à cidade para uma visita prolongada, era costume deixar uma carta para anunciar sua presença para que a família pudesse organizar a visita. Sempre as respostas vinham em uma semana, porém os parentes poderiam telefonar antes, sem a necessidade das cartas.

A alta classe social também fazia o uso de cartas para convites mais formais, seja jantares ou festas.

No caso de uma pessoa fazer aniversário ou adoecer, etc., sempre cartas eram enviadas para prestar gratificações ou condolências.

5 – Etiqueta no jantar

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Quando ocorriam jantares, as pessoas sempre eram orientadas a chegarem com 15 minutos de atraso, de forma que quando chegassem, deveriam esperar em uma antessala – chamada “sala de desenho” utilizada pelas mulheres, até que o chamado oficial fosse feito.

Quando feito, todos se levantavam, em uma espécie de fila de casais, sendo os primeiros da fila os mais nobres. Essa formalidade era utilizada para não “ofender” algum convidado importante.

Durante a refeição, que geralmente era farta, composta por mais de 10 tipos de comida e inclusive sobremesa, os homens deveriam sempre conversar com as mulheres que se sentavam à direita deles. Após o jantar as mulheres iam para uma sala tomar chá e conversar, enquanto os homens iam para outra fumar e conversar também.

4 – Como cortejar uma pessoa

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Talvez essa fosse a mais complexa atividade da Era Vitoriana. Neste ponto uma “regra social” absurda era bem clara: os casamentos poderiam ocorrer por afeto mútuo, mas não necessariamente, já que outros interesses eram mais relevantes. Por essa razão os jovens passavam imensos conflitos emocionais antes de se casarem, já que a afeição mútua não era tão levada em consideração.

As pessoas procuravam se casar com quem pertencesse ao seu círculo social e geralmente os homens se casavam com mulheres mais jovens. A diferença entre as idades oscilava de 10 a 15 anos – sendo o homem mais velho – de modo que os 27 anos já era considerada uma idade avançada para as mulheres.

Os filhos mais velhos eram geralmente os mais disputados, pelo fato de herdarem tudo da família.

Todos os anos ocorria um evento chamado “Temporada” em que consistia em reuniões sociais e bailes a fim de que uma mulher encontrasse um parceiro. Se em três dessas “Temporadas” ela não apresentasse pretendentes, já seria mal vista pela sociedade.

Para cortejar uma dama o homem jamais poderia ficar sozinho com ela, porém deveria conversar com toda sua família e parentes também.

3 – Apresentação na corte

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Quando uma menina fosse apresentada à corte, aos olhos dos vitorianos, ela haveria se transformado em alguém fora dos limites para de repente se casar.

Jovens damas e rapazes várias vezes por ano eram apresentados à corte. Durante essas apresentações haviam regras estritas de vestimenta: os homens usavam calções até os joelhos e sapatos de fivela e empunhavam uma espada. Já as senhoras tinham que usar penas com o cabelo alto o suficiente para que a rainha visse, e os vestidos precisavam medir 3 metros de comprimento exatamente. E embora os vitorianos tivessem uma reputação de modéstia, o vestido necessário para a apresentação na corte deixava os ombros das damas de fora.

Depois de uma série de procedimentos de apresentações a rainha e muita formalidade, os jovens vitorianos finalmente conseguiam se dedicar ao ato de encontrar um(a) companheiro(a).

2 – Como eram os bailes

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Os bailes foram um destaque da vida social para os jovens durante a Era Vitoriana. Lá as pessoas se planejavam, algumas semanas antes do evento, para as atividades, de modo que podiam tanto dançar como jogar cartas, conversar com os outros, etc.

Uma anfitriã iria fazer tudo para preparar sua casa, incluindo tirar as portas de dobradiças, remover tapetes e polir pisos, acrescentando tanta luz quanto possível, planejando comida e arranjos de flores e contratando uma orquestra.

Nos bailes, as damas geralmente tinham cartões de dança em que escreviam seus nomes e o de seus parceiros de dança. Uma senhora jamais deveria dançar três vezes com o mesmo cavalheiro, como também seus cabelos e vestes deveriam sempre estar impecáveis.

Um cavalheiro que se interessasse por uma dama deveria pedir a alguém que os apresentasse, porém a apresentação só contava no salão de baile – se ele a visse novamente, não poderia tratá-la como uma conhecida, a menos que ela tomasse a iniciativa.

Uma senhora não podia andar em torno de um salão de baile sem um acompanhante, de modo que os cavalheiros deixavam a dama em seus assentos ou com sua família, curvavam-se e se retiravam.

A escolha de um parceiro de dança na última dança antes da refeição era especialmente importante, já que o cavalheiro escoltaria a parceira de dança para o jantar.

1 – O noivado

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Para pedir uma dama em casamento, o cavalheiro deveria ter total certeza sobre os sentimentos dela por ele, tendo a aprovação do pai dela antes de oficializar o compromisso.

Depois de acertado o casamento, os noivos viveriam vidas separadas, sendo os bens do noivo declarado à família da noiva e vice-versa.  Porém, se o compromisso fosse rompido por um deles, o outro poderia ser processado por danos morais.

Ao ser confirmado o casamento, a noiva mesmo assim não poderia encontrar com seu noivo sozinha, como também o casal não poderia demonstrar intimidade em público, uma vez que o comportamento era considerado desrespeitoso. Havia um grande preconceito também sobre o ato de “tocar” o braço dos homens – as mulheres que faziam isso eram tomadas como vulgares.

Que difícil, hein?

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