Essa é a curiosa história da garota mais beijada do mundo

Em algum momento do final do século 19, o corpo de uma jovem mulher foi pescado no rio Sena, em Paris. Por não haver evidências de violência sobre ela, presumiu-se que ela havia tirado a própria vida. Aliás, não seria incomum, pois em média, cerca de duzentas pessoas são retiradas da água suja do Seine todos os anos pela polícia fluvial de Paris. Pelo menos um quarto delas são cadáveres, e quase metade das que são retiradas são pessoas tentando suicídio. Mulheres jovens representam a maior proporção de tentativas de suicídio.

Naquela época, quando um corpo era recuperado, ele era colocado em uma placa de mármore e encostado na janela do necrotério para o público ver, na esperança de que alguém o reconhecesse. Morte e punição já foram formas populares de entretenimento na Europa, e essa exibição macabra de cadáveres atraía a todos – de jovens a idosos – ao necrotério. Mas nada capturou a imaginação dos parisienses naquele ano e o século que se seguiu, como o suicídio dessa jovem misteriosa e bela.

A história conta que o patologista de plantão ficou tão encantado com sua beleza que fez um molde de gesso de seu rosto. Em pouco tempo, o gesso branco da mulher desconhecida, com seu sorriso sereno, começou a aparecer nas lojas de Paris e, nos anos seguintes, cópias da máscara tornaram-se um acessório em todos os lares boêmios da moda na Europa. O sorriso enigmático da máscara enfeitiçava artistas, poetas e romancistas e, ao longo das décadas dezenas de poemas foram escritos e histórias inventadas para dar à jovem uma identidade.

Gerações mais tarde, quando o fabricante de brinquedos norueguês Asmund Laerdal teve que escolher um rosto para seu manequim de treinamento de reanimação cardiopulmonar (RCP), ele apontou para “Inconnue de la Seine” – a mulher desconhecida do Sena.

Laerdal desenhou uma boneca feminina realista e moldou seu rosto na famosa máscara serena. Esta boneca, conhecida como Resusci Anne, é um dos produtos médicos mais conhecidos de Laerdal e é usada amplamente em todo o mundo para treinar estudantes médicos e paramédicos na técnica de respiração boca-a-boca – o que levou alguns a chamarem Inconnue de “a garota mais beijada do mundo”.

“É surpreendente ver um rosto tão pacífico”, disse Pascal Jacquin, chefe da Brigada Fluviale, a polícia do rio de Paris responsável por retirar corpos afogados do Sena. Pascal Jacquin viu mais cadáveres afogados do que qualquer outra pessoa em Paris. “Todos que encontramos na água – os afogados e os suicidas – nunca possuem semblantes tão pacíficos. Eles geralmente aparecem inchados e em mal estado em geral”, explicou ele.

A morte por afogamento é violenta e até os suicidas lutam pela vida no último momento. Esses momentos finais de terror, dor e dúvida são frequentemente congelados em seus rostos. Esta mulher, por outro lado, com seu rosto tranquilo, parece mais uma bela adormecida do que qualquer outra coisa.

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