A África está mesmo partindo ao meio – mas o que isso significa?

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A região do condado de Narok, no Quênia, vem chamando bastante atenção nos últimos dias na Internet por conta de relatórios que apontam a formação de abismos profundos, que estão sendo agravados pelas chuvas. Um dos abismos possui cerca de 15 metros de profundidade, com 20 metros de largura.

Em uma entrevista ao jornal ‘Daily Nation’, um geólogo sugeriu que este fenômeno curioso é a manifestação clara de “zonas de fraqueza” na região. Algumas dessas rachaduras são novas, mas outras são bem mais antigas. No entanto, apesar da idade, estavam enterradas em cinzas vulcânicas, tendo sido expostas recentemente por conta das fortes chuvas que atingem a região.

Como era de se esperar, a novidade causou bastante comoção no país, e algumas famílias já precisaram ser evacuadas para evitar possíveis acidentes. Mais assustador ainda, uma família estava em casa, jantando, quando foi forçada a fugir depois que uma nova fissura se abriu sob seus pés, supostamente cortando a residência em dois pedaços.

Mas o que exatamente está acontecendo aqui?

Esta parte do Quênia vem demonstrando um comportamento bastante incomum e chamativo do ponto de vista geológico, mas de acordo com os especialistas não há muito motivo para pânico. Ao que tudo indica, isso está acontecendo por conta de um fenômeno conhecido como “rifteamento”, uma espécie de fratura, acompanhada por um afastamento em direções opostas de camadas da superfície terrestre. Esse fenômeno já é bastante conhecido pela ciência, e não é nenhuma surpresa que esteja acontecendo nesta região específica.

Isso porque a ciência já sabe que a África Oriental está se separando. Um enorme limite tectônico de 5000km de comprimento está se estendendo ao longo da parte oriental do continente. A placa africana se dividiu nas placas tectônicas da Somália e da Núbia, qeu estão se afastando uma da outra, em um processo que já começou há 25 milhões de anos. De forma resumida, isso significa que em aproximadamente 10 milhões de anos, um novo oceano surgirá, à medida em que as placas continuem a se afastar.

E é claro que existem algumas consequências em viver bem em cima de uma zona tão ativa como esta. A divisão das placas fragmentou esta região de forma tão aguda que os cientistas acreditam que foram criadas microplacas tectônicas, como as placas Victoria e Rovuma. Além disso, este tipo de atividade também propicia a aparição de novos vulcões poderosos.

Em 2005, uma lacuna de 8 metros se abriu em um trecho de 60km em apenas 10 dias. Esta fenda foi o resultado do magma que se dirigia para o vulcão Dabbahu, na Etiópia, e que acabou sendo desviado para o subsolo. Lá, ele resfriou, petrificou, e foi forçado a subir à superfície, causando a rachadura.

No momento, até que mais detalhes sobre este fenômeno venham à tona, não se sabe muito bem os rumos que a situação pode tomar para os moradores da região.

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