Entenda como a caça regulamentada está aniquilando as espécies amazônicas

Quando a borracha começou a atrair centenas de pessoas para a região da Amazônia no final do século XIX, vastas áreas de selva se tornaram centros industriais e de comércio, e isto significou um desastre para boa parte da vida selvagem local. Um estudo publicado pela revista Science Advances revelou a extensão dos danos que diversas espécies sofreram – algumas até mesmo foram erradicadas.

A maior parte da caça ocorreu após 1912, quando a competição pelo mercado da borracha com a Malásia fez a Amazônia entrar em colapso, o que levou muitos colonos a voltar suas atenções para a exportação de peles de animais.

Ao examinar os estoques de navios de cargas e registros na Amazônia brasileira, os pesquisadores descobriram que as peles de pelo menos 23 milhões de animais (de 20 espécies diferentes de mamíferos e répteis) foram exportados entre 1904 e 1969.

No entanto, o co-autor do estudo, Taal Levi, afirma que estes números são muito abaixo do número total de animais mortos, pois boa parte era escondida para evitar impostos e outros foram feridos ou mortos, nunca chegando aos navios.

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Em particular, os caçadores do século XX causaram danos a espécies aquáticas, que eram mais fáceis de caçar, pois não tinham grandes chances de fuga.

Como resultado, mais de 4,4 milhões de jacarés-açu foram mortos neste período. Da mesma forma, a população de peixes-boi reduziu em 91%, enquanto ariranhas e capivaras foram reduzidas em 88 e 75%, respectivamente.

Isso não quer dizer que a situação dos animais terrestre se tornou mais fácil. Mais de 800 mil jaguatiricas e 180 mil onças também foram caçadas. No geral, populações de toda a bacia entraram em colapso, revelando o que pode acontecer quando não existem controles rigorosos.

 

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