Isso é o que aconteceria se todas as armas nucleares fossem ativadas ao mesmo tempo

Com os comentários recentes de Trump sobre impulsionar o arsenal nuclear dos EUA e não descartar a utilização de nenhuma dessas armas no Oriente Médio ou na Europa, ficamos com uma grande e preocupante questão – o que aconteceria no caso de um apocalipse nuclear? Qual seria o resultado se cada arma nuclear no mundo de hoje fosse ativada e detonada?

Primeiro, vamos dar uma olhada no que vários países têm em seu arsenal nuclear.

De acordo com os dados da Federação dos Cientistas Americanos de 2017, existem 14.900 projéteis nucleares no mundo. Os EUA têm 6.800 e a Rússia 7.000, constituindo a grande maioria dos destruidores de cidades no mundo. O Reino Unido tem 215, a França 300, a China 260, a Índia 120, o Paquistão 130, Israel cerca de 80 e a Coréia do Norte cerca de 10.

As posses de cada um deles variam consideravelmente. Os EUA e a Rússia, por exemplo, possuem armas termonucleares hiperpotentes, enquanto a Coréia do Norte mal conseguiu ultrapassar um antigo dispositivo de plutônio do tipo fissão.

O resultado de apenas um dos mais potentes explosivos do mundo

Uma das armas mais poderosas do arsenal dos EUA é o B83, que possui um poder de explosão equivalente a 1,2 megatons de TNT. Isso equivale a cerca de 5 quadrilhões de joules de energia, ou 5 Petajoules – ou 79 bombas atômicas “Little Boy” (a lançada em Hiroshima) de energia.

A B83, uma das mais poderosas bombas atômicas atualmente.

Digamos que um desses B83s fosse lançado em Moscou: se detonasse na superfície, deixaria uma cratera de 420 metros e 92 metros de profundidade, de acordo com o historiador nuclear Alex Wellerstein.

Quase instantaneamente após a detonação, uma bola de fogo gigantesca apareceria, com 5,7 quilômetros quadrados de tamanho e atingindo temperaturas até 83,3 milhões de graus Celsius.

Usando até 50 por cento da energia da bomba inteira, também seria acompanhada por uma enorme onda de pressão. Todos os edifícios dentro de uma área de 16,8 quilômetros quadrados seriam inteiramente erradicados.

Graças à radiação térmica – que usa 35 por cento da energia do explosivo – todos dentro de uma área de 420 quilômetros quadrados receberiam queimaduras de terceiro grau, que só seriam dolorosas por uma fração de segundo, pois suas terminações nervosas seriam completamente destruídas.

Depois, haveria a radiação ionizante. Supondo que não haveria vento no momento, podemos presumir que uma área de 20,6 quilômetros quadrados seria tão fortemente irradiada que 50 a 90 por cento das pessoas nela morreriam de doenças radioativas.

Destruindo o mundo com o arsenal de explosivos dos EUA e Rússia

Para obter uma explosão absolutamente devastadora com as armas nucleares mundiais, incluiremos apenas as dos EUA e da Rússia, mas vamos presumir que eles são tão poderosos como o B83. No total seriam 13.800 bombas termonucleares, produzindo a totalidade da energia que todo o EUA faz em um ano inteiro.

Cada um desses dispositivos atingiria a terra e detonaria na superfície. Supondo que eles estariam uniformemente espaçados entre as cidades do mundo, seriam aniquilados 94 quilômetros de terra imediatamente – mas isso não é nada comparado com o que aconteceria a seguir.

232.000 quilômetros quadrados de infraestrutura seriam destruídos pela explosão de ar. Cerca de 295 metrópoles do tamanho da cidade de Nova York virariam pó.

Uma bola de fogo de 79 mil quilômetros quadrados vaporizaria literalmente qualquer coisa que tocasse e qualquer pessoa dentro de uma área de 5,8 milhões de quilômetros quadrados ficaria com queimaduras de terceiro grau. Então, todos no mesmo espaço que 3.700 cidades do tamanho de Londres seriam queimados.

Por fim, a radiação ionizante contaminaria uma área do mundo com cerca de 284 mil quilômetros quadrados e infectaria a maior parte dos sobreviventes com doenças radioativas. É claro que muita dessa radiação atingiria a atmosfera mais baixa e se espalharia por todo o mundo, de modo que os desastres seriam muito maiores a longo prazo.

Deste modo, pelo menos centenas de milhões, talvez bilhões, morreriam dentro da primeira hora. E não acaba por aqui.

O inverno está chegando

O inverno nuclear é um fenômeno hipotético que seria como um inverno vulcânico. Durante uma das mais gigantes erupções, seriam produzidos muitos aerossóis e partículas finas. Eles são incrivelmente reflexivos e, se conseguissem entrar na atmosfera superior, o resultado é que eles resfriariam o planeta.

Historicamente, os humanos testemunharam o resfriamento vulcânico por vários anos de cada vez. Antes de termos existido, houve vários eventos de extinção em massa conduzidos em parte por derrames vulcânicos que – ao mesmo tempo em que o aqueceu com uma enorme expulsão de dióxido de carbono – resfriaram o mundo por muitas centenas de anos de cada vez, talvez mais.

Um inverno nuclear é essencialmente o mesmo, exceto que o mundo somente esfria e o material em partículas e cinzas se torna radioativo. Respirar o suficiente disso certamente o levará a morte rapidamente. Então, quantas explosões nucleares são necessárias para iniciar um inverno nuclear poderoso o suficiente?

Um estudo sugere que 100 explosões do tamanho de Hiroshima produziriam bastante fuligem de carbono preto para causar um “pequeno” inverno nuclear. Isso reduziria a temperatura média global em aproximadamente 1 °C.

Se cada uma das armas nucleares do mundo fosse ativada, então haveria uma redução de quase 100 por cento na radiação solar atingindo a superfície da Terra, o que significa que o planeta ficaria envolto em uma escuridão perpétua por vários anos. A luz apareceria crescentemente, mas lentamente durante as seguintes décadas ou mesmo séculos.

Como se não fosse o bastante, tudo isso impediria a fotossíntese. Somente as mais resistentes das plantas não morreria, o que levaria a um colapso nas cadeias alimentares globais. Haveria um evento de extinção em massa – incluindo talvez a nossa própria espécie – e os sobreviventes teriam de buscar sobreviver em uma paisagem irradiada.

Resumindo, seria devastador. Só esperamos que o presidente Trump, Kim Jong-un ou Putin não apertem o botão vermelho tão impulsivamente como eles disparam em seus tweets. [IFL Science]

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