E se você vivesse na Idade Média?

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Se há uma coisa que todo nerd de respeito gostaria, sem dúvida seria ter uma máquina do tempo para poder fazer um “bate e volta” pela Idade Média e retornar para contar para a gente como foi. Afinal, não é todo o dia que temos a chance de sermos heróis, bravos guerreiros ou grandes reis e rainhas, não é mesmo?

A Idade Média abrange um longo período da história, e durou tanto tempo que foi classificada como um “divisor de águas” histórico entre o mundo antigo e o mundo moderno. Seu início se deu em meados do século V com a queda do Império Romano do Ocidente e perdurou até século XV, com a tomada de Constantinopla pelos turcos no ano de 1453.

Nos cinemas, a Idade Média é retratada como um período de guerras, amores proibidos, lendas de reis enviado dos céus, objetos mágicos e cavaleiros que partem em sua incessante busca por eles, além de gloriosas vitórias batalhas contra bárbaros malvados e invasores inimigos.

Mas, por mais que você tenha estudado sobre a Idade Média para distinguir a fantasia da realidade, uma coisa é verdade: certamente você já ficou curioso para saber como seria estar na Idade Média, não é mesmo?

Como era a vida nessa época? Quanto tempo você duraria por lá? O que faria? E se… você vivesse na Idade Média?

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Após 200 anos de paz e prosperidade, o Império Romano passou por uma grande crise social, econômica e política, chegando gradualmente ao seu fim.

Enquanto o Império Romano caia, muitos reinos independentes começaram a surgir: as cidades ficavam cada vez mais perigosas com as invasões de tribos inimigas e, grandes proprietários de terras concediam espaços em suas terras – ou melhor, de seus feudos – para os fugitivos das cidades, prometendo proteger essas pessoas e suas famílias dando-lhes moradia em troca de trabalho.

Assim foi como começou o período do feudalismo ou também conhecido na história como a “Alta Idade Média”, o período inicial da também chamada “Idade das Trevas” pelos historiadores humanistas.

Se você não era um nobre, um rei, um cavaleiro ou até mesmo um membro do clero, temos más notícias: a vida era bem difícil por lá. A expectativa de vida na Idade Média era extremamente baixa, pois as condições de higiene eram muito limitadas. Fome, doenças mortais, trabalho árduo e punições severas eram elementos comuns à toda população da época, que se dividia basicamente em dois grupos sociais: senhores e servos. Se você vivesse na Idade Média estaria em algum desses dois grupos.

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Para começar, um dia típico em uma cidade medieval, começaria às 4 da manhã.  O sino da igreja tocaria nesse horário, anunciando a toda população o início de um novo dia.

Você deveria, obrigatoriamente, ir para a Igreja nesse horário, a não ser que você fosse um nobre, um senhor feudal ou um rei e não tivesse essa obrigatoriedade por ter negócios a fazer.

Em vez disso, estaria provavelmente preparando seus bens para venda e consumo nos mercados, que abririam por volta das 6 da manhã. E, tendo negócios a fazer, seria por lá que ficaria pelas próximas 9 horas.

Mas, nem todo mundo na Idade Média era um vendedor ambulante: havia uma gama de profissões como ferreiros, costureiros, pedreiros, produtores de vinhos e, por último, mas não menos importante, os cobradores de impostos.

Por volta das três horas da tarde, muitos comércios já começam a fechar e já pelas oito da noite você não encontraria mais nada aberto: nem os portões das cidades, que também se fechavam para a segurança das pessoas. Vigias noturnos começavam a tomar seus postos, para proteger as fortalezas das invasões inimigas. Você deveria ficar muito atento para não perder a hora, pois caso ficasse trancado para fora, deveria torcer para conseguir estar vivo no dia seguinte.

Pelo outro lado das muralhas da cidade, seu jantar não seria muito variado e consistiria em vegetais e ovos – as carnes para o povo eram consideradas como artigos de luxo. Agora, se você fosse um nobre, poderia se esbaldar nos melhores tipos de carnes de porco, cabrito e veado que eram assados em espetos.

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Jantares comuns e festas eram frequentes em grandes propriedades, inclusive, eram comuns no período inteiro. Os camponeses também sabiam se divertir e organizavam seus próprios encontros em locais públicos. Os europeus medievais eram festeiros: cerca de 8 semanas em um único ano eram reservadas apenas para festivais ou eventos, apesar de grande parte deles ser ligado à igreja. Muitos desses eventos, no entanto, não eram aprovados pela igreja: como, por exemplo, os torneios de lutas que eram basicamente um espetáculo de violência e sangue em que dois prisioneiros deveriam duelar até a morte em troca de sua liberdade.

Mas, se você não fosse um prisioneiro, não pense que a barra estaria limpa para o seu lado: você deveria ter muito cuidado com as suas ações ou, ainda, para não criar inimizades. Se você fosse acusado de um crime, mesmo que injustamente, possivelmente seria julgado pela água: você seria amarrado e seu corpo seria lançado em um lago ou rio. Se você afundasse, seria considerado inocente – isso se você não se afogasse antes e morresse, é claro. Agora, se você boiasse, significaria que você renunciou ao batismo e estaria a serviço do diabo, que estaria te ajudando a não afundar. Todo cuidado era pouco: muitas pessoas não fossem com a sua cara, poderiam te acusar injustamente sobre qualquer coisa, incluindo bruxaria e parcerias com o próprio diabo, um crime basicamente imperdoável para a época.

Apesar dos julgamentos totalmente imprecisos feitos pela água, acredite: a ciência existia na Idade Média. Nessa época, as pessoas já sabiam que a Terra era redonda e muitas invenções que usamos até hoje foram originadas ali, como o relógio mecânico e a prensa. É uma pena que as escovas de dentes não eram usadas ainda não é mesmo?

Aliás, ter os dentes podres na Idade Média eram um sinal de riqueza: isso significava que você poderia comer doces e, portanto, era alguém com condições financeiras. Obesidade também era um sinal de fartura e prosperidade, significando que você poderia comer ilimitadamente – estar acima do peso era considerado um padrão de beleza para a época.

Apesar dos nobres terem mais acesso às comidas, o excesso era bem visto para eles e eram os camponeses que acabavam gozando de uma saúde melhor, já que sua dieta consistia em grãos diversos e esforços físicos. Seus corpos eram mais em forma por conta do constante esforço que faziam e seus dentes eram bem menos amarelados.

As escovas de dentes não existiam na época, então, se você vivesse na Idade Média, provavelmente antes de dormir e após as refeições faria um bochecho com vinagre. Não adianta muita coisa, mas pelo menos era algo, não é mesmo? Ah, e vale lembrar que chuveiros, banheiras ou até mesmo vasos sanitários, como os que usamos hoje, não existiam ainda.

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A Idade Média foi um período difícil para a humanidade e as pessoas tentavam um jeito para sobreviverem. Tudo parecia funcionar… bem, pelo menos até o século XIV.

Por volta do século XI se iniciava a à desagregação do sistema feudal e a consequente transição para o sistema capitalista. É aí que se inicia um período que chamamos de Baixa Idade Média: a população não parava de crescer e, com isso, surgiram muitos conflitos, fome e doenças.

Entre 1346 e 1353 o mundo enfrentou a Peste Negra, uma pandemia considerada uma das mais devastadoras de toda a história, que dizimou 60% da população europeia e a acabou com a economia, levando a retração dos mercados consumidores e da atividade comercial.

O renascimento da Europa após essa grande crise começou a se dar a partir do século XV, um período de recuperação em que as pessoas começaram a buscar a verdade através do ceticismo e da evidência empírica. Esse período promoveu grandes avanços na ciência, que continuam até hoje. Em outras palavras, a Idade Média deu origem à sociedade moderna.

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Por fim, de uma coisa temos certeza: você certamente iria preferir conhecer a história da Idade Média pelos livros a passar por tanto perrengue por itens básicos como higiene, comida, saneamento e até mesmo vacinas, que não existiam na época e hoje são oferecidas gratuitamente pelos postos de saúde do governo. Podemos agradecer por termos nascido em uma época mais prática, mas, ao mesmo tempo, menos romantizada, não é mesmo?

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