Descongelamento pode liberar bactérias causadoras de antraz na Sibéria

O derretimento do gelo nas zonas polares da Terra está liberando todos os tipos de males. Pense em vírus pré-históricos, gases de efeito estufa e esporos de bactérias causadoras de antraz. Especialistas alertam que o rápido aquecimento na região de Yakutia, na Rússia, pode estar colocando os moradores em risco de doenças antigas, de acordo com o Telegraph.

Sibéria
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Yakutia (também conhecida como a República de Sakha) fica no nordeste da Sibéria e cobre alguns dos lugares mais desabitados do planeta, com temperaturas médias no inverno caindo regularmente abaixo de -30 °C. E, no entanto, também está experimentando alguns dos maiores efeitos em relação às mudanças climáticas. Em apenas 10 anos, as temperaturas médias em Yakutsk, capital da Yakutia, subiram 2,5 °C. Isso levanta todos os tipos de questões, mas não menos importante está o retorno do antraz.

O antraz é uma condição infecciosa (e potencialmente letal) provocada pelo Bacillus anthracis. Os esporos das bactérias são encontrados naturalmente no solo da Terra, onde podem ser ingeridos por animais que se alimentam de plantas. Como vários outros patógenos, o B. anthracis pode se esconder (ou hibernar) quando as condições não estão certas, apenas para retornar quando as circunstâncias melhorarem. Os franceses até têm um nome para isso – champs maudits (os “campos amaldiçoados”), uma referência a campos de animais mortos, não incomuns durante a Idade Média, dizimados pelo chamado “antraz zumbi”.

Permafrost, como aquele em Yakutia, fornece o estado perfeito para a hibernação de B. anthracis. [O que é o permafrost e como ele coloca o planeta em risco?]

A Sibéria já viu o retorno da doença. Após um verão excepcionalmente quente em 2016, um surto resultou na morte de centenas de renas e um menino de 12 anos de idade, que teve que ser hospitalizado. De acordo com o The Telegraph, os especialistas concluíram que as altas temperaturas provocaram um degelo maior que o esperado, liberando o antraz preso por décadas ou séculos.

Enquanto isso, um estudo de 2011 descobriu que ocorreram pelo menos 21 mortes humanas por antraz em Yakutia entre 1949 e 1996, a maioria das quais havia sido infectada por gado ou renas.

Parte do problema aqui está nos surtos de antraz durante a primeira metade do século XX, quando carcaças de renas contaminadas com antraz foram deixadas para se decompor naturalmente, o que contaminou o solo. Enterrados no gelo, os esporos do B. anthracis permaneceram adormecidos, mas como as mudanças climáticas fazem a temperatura subir, esses esporos podem reviver. Daí a preocupação.

O antraz pode ser encontrado naturalmente em muitos lugares do mundo, mais comumente na América Central e do Sul, na África Subsaariana, no centro e no sudoeste da Ásia, no sul e no leste da Europa e no Caribe. Também pode ser encontrado (menos naturalmente) como uma arma biológica.

Embora tenha o potencial de ser mortal, pode ser tratado com antibióticos ou evitado com uma vacina.

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