Coronavírus pode ser transmitido após a cura dos sintomas, aponta pesquisa

Um estudo realizado recentemente na China está ajudando os cientistas a compreender melhor o comportamento do coronavírus no organismo humano, principalmente no que diz respeito ao período posterior ao contágio. De acordo com os resultados, o novo coronavírus, causador da Covid-19, é capaz de se espalhar mesmo após o término dos sintomas. Não se trata, no entanto, de uma exclusividade do novo coronavírus, já que outros vírus possuem a capacidade de se manter no organismo por um bom tempo após o fim dos sintomas.

Apesar da novidade soar um tanto negativa, os cientistas afirmam que pode haver um lado positivo nisso. De acordo com Krys Johnson, epidemiologista na Temple University College of Public Health, o fato do coronavírus permanecer no organismo humano pode indicar que o paciente não corre o risco de ser infectado mais de uma vez.

A pesquisa em questão foi publicada no JAMA no último dia 27 de fevereiro, e teve como universo de análise quatro profissionais da área médica, com idades entre 30 e 36 anos de idade, que desenvolveram a Covid-19. Todos eles eram chineses, e foram tratados em Wuhan.

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Todos os quatro se recuperaram tranquilamente da doença, e apenas um precisou ser internado para permanecer em observação. Todos foram medicados com o antiviral conhecido como “Tamiflu”.

Imediatamente após a recuperação, os pacientes testaram negativo para a Covid-19, e foram enviados para isolamento em suas residências. Os pacientes continuaram sendo examinados durante 13 dias após a recuperação, e o que chamou a atenção dos médicos é que entre os dias 5 e 13, todos os testes deram positivo para a doença.

Os quatro chineses que participaram do estudo não voltaram a apresentar os sintomas, apesar de testarem positivo para a presença do vírus no organismo. Em contrapartida, a Reuters noticiou recentemente o caso de um japonês que, depois de ter sido considerado curado, voltou a ficar doente. Não há consenso, entretanto, sobre o que aconteceu neste caso. Há a possibilidade, segundo Johnson, de que o vírus não tenha sido completamente “derrotado” pelo sistema imunológico do paciente, tendo se replicado novamente após a suposta cura.

Em relação ao estudo recentemente publicado, o virologista Ebenezer Tumban, da Michigan Tech University, concedeu entrevista ao portal ‘LiveScience’, explicando o que pode explicar os resultados.

De acordo com ele, é possível que logo após o fim do tratamento com o Tamiflu, o medicamento ainda estivesse presente no organismo, fazendo com que o vírus não estivesse presente no corpo em quantidade suficiente para acusar positivo nos testes clínicos da Covid-19. Com o passar do tempo, no entanto, o efeito do medicamento baixou, fazendo com que o vírus pudesse novamente se reproduzir em um nível um pouco mais baixo, atingindo uma quantidade capaz de acusar positivo, porém insuficiente para causar sintomas.

Ao que tudo indica, felizmente, os indivíduos curados dos sintomas não possuem a mesma chance de transmitir a doença do que aqueles que ainda estão com os sintomas em curso, mas de qualquer forma o mais indicado é tomar cuidado com hábitos básicos de higiene, principalmente dentro de casa, com seus familiares. Nenhum dos parentes dos profissionais participantes da pesquisa testou positivo para a Covid-19, mas os pesquisadores ressaltam que é válido lembrar que os voluntários eram todos ligados à área médica, e por conta da natureza do seu trabalho eles costumam tomar cuidados muito elevados em casa, para não levar nenhum tipo de doença.

Novas pesquisas agora devem focar na compreensão de até que ponto o vírus pode se reproduzir após a cura da doença, para saber se existe a possibilidade de uma pessoa curada se transformar mais uma vez um potencial risco para os demais.

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