Os 10 piores acidentes nucleares da história

O aprimoramento da ciência e da tecnologia anda lado a lado com o desenvolvimento da humanidade. Entretanto, algumas áreas da ciência, como a tecnologia nuclear por exemplo, podem ser uma via de duas mãos. Ao mesmo tempo em que a energia nuclear possui seus pontos positivos, ela nos coloca em um constante risco de acidentes e tragédias, como várias que já foram registradas ao longo da história.

Nessa lista, você vai conhecer algumas das 10 piores tragédias nucleares da história.

1. Usina de Bohunice.

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Em 22 de fevereiro de 1977, a usina nuclear de Bohunice, na então Tchecoslováquia, parte da União Soviética, foi palco de um grave acidente. Apesar de ter sido classificado como um acidente de “grau 4”, bastante grave, é difícil precisar a quantidade exata de vítimas, uma vez que o incidente acabou sendo encoberto pelo governo da época. O acidente teve origem em uma negligência na hora de trocar o combustível nuclear. Durante o processo de troca, não foi dada a atenção necessária aos absorventes de umidade que protegem as barras de combustível. Isso acabou ocasionando um superaquecimento, que corroeu o reator e liberou gases radioativos por uma grande área ao redor da planta.

2. Césio-137.

Talvez um dos piores acidentes deste tipo no Brasil, o caso envolvendo o elemento Césio-137 ocorreu em Goiânia, em 13 de setembro de 1987. Um recipiente contendo quantidades extremamente perigosas deste elemento radioativo foi roubado de uma máquina nos escombros do Instituto Goiano de Radioterapia, e repassado a um ferro-velho.

Ao perceber que o material dentro do recipiente, que se assemelhava a um tipo de pó, era brilhoso e chamativo, o dono do ferro-velho acabou por levar o Césio para casa, posteriormente expondo várias pessoas, incluindo crianças, ao material radioativo e extremamente tóxico.

Estima-se que pelo menos 200 pessoas morreram por problemas complicações acarretadas pela exposição ao material.

3. Desastre no Texas.

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Um dos piores acidentes envolvendo embarcações de toda a história dos Estados Unidos ocorreu em 16 de abril de 1947. Na ocasião, um dos trabalhadores das docas cometeu a infelicidade de jogar no chão uma bituca de cigarro acesa, dando início a um incêndio no cargueiro Grandcamp, que estava carregado com nitrato de amônio. Bastante utilizado como fertilizante, este elemento está envolvido também na fabricação de armamentos atômicos.

O capitão e os demais funcionários do navio fizeram de tudo para apagar as chamas, mas não obtiveram sucesso. As explosões no Grandcamp foram tão fortes que danificaram e incendiaram também um outro cargueiro próximo, o ‘High Flyer’, carregado de enxofre, que também explodiu um dia depois.

Por conta das explosões, uma nuvem de gás tóxico foi liberada em Texas City, colocando muitas pessoas em risco. Estima-se que 500 pessoas tenham morrido neste incidente. Apenas um dos 28 bombeiros que tentaram extinguir as chamas do navio sobreviveu.

4. Desastre de Kyshtym.

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O Desastre de Kyshtym foi uma tragédia ocorrida em 29 de setembro de 1957, em Mayak, na União Soviética. De acodo com a Escala Internacional de Eventos Nuclares, trata-se de um episódio classificado com o nível 6, um a menos que o desastre nuclear de Fukushima e de Chernobyl.

Na ocasião, um dos tanques que armazenavam cerca de 80 toneladas de resíduos radioativos acabou falhando e não recebeu a manutenção adequada. No dia 29 de setembro daquele ano, uma explosão equivalente à detonação de 70 toneladas de TNT arremessou a tampa de concreto do tanque no ar, liberando uma nuvem extremamente tóxica, que contaminou uma grande área ao redor do reator.

Como era comum em acidentes deste tipo na antiga União Soviética, os moradores das regiões afetadas não foram imediatamente avisados sobre o problema, e as evacuações começaram apenas uma semana após a explosão. Não se sabe até hoje quantas pessoas perderam a vida direta ou indiretamente por conta do desastre.

5. Acidente de Tokaimura.

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Em 1999, a planta nuclear de Tokaimura foi palco de um grande desastre, provocado pela falta de perícia de três técnicos, que encheram um tanque com 16kg de urânio, quando a capacidade máxima era de apenas 2,4kg.

O material provocou uma reação rápida e letal, gerando um grande flash azul. Dois dos técnicos morreram por queimaduras provocadas pela radiação e pela exposição ao raio gama. O restante da equipe conseguiu esvaziar o tanque e evitar maiores problemas.

O governo japonês agiu rapidamente após o incidente para evacuar a população local, evitando que os cidadãos acabassem também sendo afetados pelo ocorrido.

6. Incêndio de Windscale.

Em outubro de 1957, em Cumbria, no Reino Unido, ocorreu um dos acidentes nucleares que marcaram a história da Europa. O incidente ocorreu em uma planta conhecida como Windscale, utilizada para fabricar armamentos atômicos para o governo britânico.

No dia 8 de outubro daquele ano, funcionários da planta nuclear perceberam que um reator estava apresentando temperatura abaixo da necessária para seu correto funcionamento. Após uma série de testes, a equipe conseguiu resolver o problema. No entanto, o mesmo aconteceu dois dias depois. Sem se dar conta de que havia um princípio de incêndio no reator nº 1, os funcionários utilizaram uma técnica de aquecimento que envolvia a inserção de oxigênio no reator. Com isso, eles acabaram por alimentar ainda mais as chamas.

Como solução, os engenheiros decidiram fechar a chaminé no topo do reator, cortando de vez o seu suprimento de oxigênio e extinguindo o fogo em 24 horas. Ninguém morreu por conta das chamas.

O problema, no entanto, é que foi descoberto tempos depois que o incidente liberou grande quantidade de material radioativo no ar. Pesquisas apontam que, na mesma época, o Reino Unido apresentou um aumento no número de casos de câncer de tireoide, o que possivelmente tem ligação com o incidente.

O reator nº 1 foi totalmente selado e descontinuado na época, mas a planta como um todo ainda segue em funcionamento.

7. Acidente Nuclear de Fukushima.

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O acidente nuclear de Fukushima é um dos eventos mais recentes desta lista, tendo ocorrido em 11 de março de 2011. O desastre foi provocado por uma onda gigante, gerada a partir de um terremoto na costa do Japão. O impacto da onda danificou os sistemas de ventilação e refrigeramento da planta nuclear, liberando grandes quantidades de material radioativo no local.

Cerca de um mês mais tarde, as autoridades japonesas evacuaram uma área de 20km, e ordenaram o fechamento total e o fim das atividades na planta.

Até hoje, a região é extremamente radioativa e perigosa.

8. Acidente de Three Mile Island.

O acidente na planta nuclear de Three Mile Island, na Pennsylvania, foi um dos mais marcantes da história dos Estados Unidos, e ocorreu em 28 de março de 1979. Naquele dia, os funcionários do local não identificaram a tempo um problema no sistema de refrigeração da planta, que acabou por derreter parte do urânio armazenado. De acordo com análises da época, a quantidade de radiação liberada no acidente não foi tão grande, mas foi suficiente para inflamar uma série de protestos de ativistas contra a energia nuclear nos Estados Unidos.

Mesmo assim, a planta seguiu em funcionamento até os dias de hoje. Atualmente, ela está em processo de desligamento total.

9. Acidente em Goldsboro.

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Em 24 de janeiro de 1961, um avião bombardeiro B-52G equipado com duas bombas nucleares Mark 39 sobrevoava a região de Goldsboro, na Carolina do Norte, quando precisou reabastecer. A aeronave responsável pelo reabastecimento informou ao comandante do B-52 que havia sido verificado um vazamento na asa direita da aeronave.

Por conta disso, o reabastecimento foi cancelado, e a tripulação foi ordenada a gastar o combustível para perder peso e, posteriormente, pousar em segurança. Entretanto, o vazamento piorou após alguns minutos, motivo pelo qual o piloto precisou partir para um pouso forçado.

Durante a manobra, a tripulação perdeu o controle da aeronave, e o comandante ordenou que todos ejetassem. Cinco membros da tripulação conseguiram pousar, enquanto três infelizmente não resistiram ao acidente.

As bombas, incrivelmente, não chegaram a detonar. Uma delas, no entanto, teve três dos quatro mecanismos de detonação ativados, o que significa que, por muito tempo, uma das bombas Mark 39 de 3,8 megatons não explodiu por engano.

10. Acidente nuclear de Chernobyl.

Um dos mais famosos acidentes nucleares da história, e também um dos mais retratados em filmes, livros e séries televisivas, o acidente de Chernobyl não poderia ficar de fora dessa lista. O desastre ocorreu entre os dias 25 e 26 de abril de 1986, no reator 4 da Usina Nuclear de Chernobyl, na Ucrânia. O problema foi ocasionado durante um teste, que simulava uma situação de falta de energia elétrica. Apesar do teste ter sido planejado, algumas medidas de segurança não foram devidamente tomadas durante a sua execução, o que acabou gerando superaquecimento no reator, causando uma explosão gigantesca. Uma quantidade incalculável de radiação foi liberada nos arredores do reator após o acidente, e posteriormente levada a outras regiões da União Soviética e da Europa com o vento.

Não é possível saber com exatidão quantas pessoas morreram em decorrência do acidente, mas estima-se que pelo menos 30 pessoas tenham perdido a vida na explosão, além de um incontável número de pessoas que acabaram por desenvolver câncer nos anos subsequentes ao desastre.

Completamente evacuada na época, a região segue inabitada até os dias de hoje, já que os níveis de radiação ainda são extremamente perigosos para os seres humanos. Mesmo assim, todos os anos milhares de turistas se arriscam em visitas guiadas pelos arredores de Chernobyl.

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