Conheça o objeto mais radioativo do mundo, localizado em Chernobyl

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Mesmo após 33 anos de um dos maiores desastres radioativos, o evento catastrófico ocorrido em Chernobyl, em 1986, continua no imaginário popular e serve inclusive como “palco” para diversas criações literárias e cinematográficas. Ainda que o tema já tenha sido muito abordado, ainda existem mistérios e curiosidades sobre esta triste página da história da humanidade que muitos não conhecem.

No outono de 1986, a equipe que trabalhava dentro do reator, tentando limpar o possível depois do desastre, encontrou um corredor de distribuição de vapor, próximo ao reator nº 4. Lá, fizeram uma descoberta surpreendente: Diversas formações produzidas a partir do corium, um material que assemelha à lava em sua forma solidificada. De forma resumida, o “objeto” encontrado foi produzido pelo resultado do derretimento de diversos produtos, equipamentos, e materiais que derreteram no momento do acidente, se aglomerando e posteriormente solidificando-se em uma massa uniforme.

Reprodução | US Department of Energy

O “Pé de Elefante”, que recebeu esse nome por conta do seu tamanho considerável, é composto majoritariamente por dióxido de silício, mas possui também alguns traços de urânio. No momento em que foi descoberta, a formação já estava “resfriando” por oito meses, mas continuava bastante quente. À época, a radiação emitida pela bola de material derretido era capaz de produzir uma dosagem letal em apenas três minutos de exposição. Desde então, o seu poder radioativo vem diminuindo, mas continua sendo expressivo, tanto que se trata do objeto considerado “mais radioativo” em todo o mundo.

Para se ter uma ideia, uma hora de exposição ao Pé de Elefante se equivalem à quantidade de radiação provocada por 500 mil exames de Raio-X. Dosagens 1000 vezes mais fracas que esta já foram ligadas fortemente ao desenvolvimento de câncer em seres humanos. Não é à toa que, enquanto tentavam de alguma forma frear os danos provocados pelo desastre nuclear, mais de 30 trabalhadores perderam a vida dentro de meses após a exposição.

Mesmo com todo o risco envolvido, você certamente já percebeu que não faltam fotos do objeto, e pode estar se perguntando quem foi o aventureiro que se arriscou a fazer essas imagens.

A grande maioria das fotos do “Pé de Elefante” foram feitas a partir de câmeras posicionadas à distância por trabalhadores de Chernobyl, que a partir de uma distância “mais segura” armaram um esquema capaz de fotografar o objeto. Infelizmente, não há registros que informem sobre a saúde desses trabalhadores após esta “missão”.

Por outro lado, algumas imagens (como esta logo abaixo) foram feitas cerca de 10 anos depois do acidente nuclear, quando o objeto já emitia “apenas” 1/10 da radiação de outrora. De qualquer forma, mesmo nesta época, 500 segundos de exposição eram suficientes para causar diversas doenças. Aumente este tempo para meia hora, e a exposição poderia ser letal.

Reprodução | US Department of Energy

Atualmente, o “Pé de Elefante” está longe do potencial destrutivo que tinha no passado, mas ainda é um dos objetos mais perigosos do mundo no que diz respeito à radioatividade. Tanto que, por conta do medo e do perigo que envolvem experimentos nesta área de Chernobyl, são poucos os estudos recentes que se dedicam a analisar qual o verdadeiro estado deste objeto na atualidade.

Em uma instância, o “Pé de Elefante” permanecerá enterrado por décadas e décadas, como uma espécie de “lembrança” do estrago que o ser humano foi capaz de fazer ao lidar de forma equivocada com uma tecnologia que nós sequer sabíamos como controlar adequadamente.

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