Conheça a macabra história dos “devoradores de pecados” do século 17

Os velórios desde sempre são tristes e repletos de sensações negativas, mas entre os séculos 17 e 19, os funerais realizados no Reino Unido tinham um fator ainda mais macabro: os devoradores de pecados. Caso você nunca tenha ouvido falar neste termo, estamos nos referindo a uma pessoa que, a mando da família do falecido, comparecia ao funeral com o objetivo de literalmente comer os pecados não confessados daquele que havia acabado de morrer.

Em alguns casos, o devorador de pecados colocava um pedaço de pão em cima do cadáver do falecido, deixando ele ali por algum tempo. Depois disso, o pão era comido, simbolizando a transmissão dos pecados. Mas segundo registros da época, algumas pessoas não gostavam muito da ideia de comer um pedaço de pão que havia tocado em um cadáver. Por isso, o alimento era meramente posicionado logo acima do corpo antes de ser ingerido.

Pintura retratando um funeral escocês. | The Print Collector/Print Collector/Getty Images

Mas quando foi que isso começou?

Ninguém sabe exatamente como surgiu o conceito dos devoradores de pecados, mas os historiadores possuem algumas teorias. Na Inglaterra, na Escócia e no País de Gales, entre os séculos 17 e 19, as pessoas que se ofereciam como devoradores de pecados não costumavam receber pagamentos significativos por isso, ficando apenas com o pão que comiam e alguns trocados. E considerando que a fome e a pobreza tinha um lugar considerável na sociedade daquela época, não é nenhuma surpresa que muitos aceitassem o “trabalho”. Isso faz com que alguns historiadores tracem uma relação entre esta prática e uma outra tradição comum na Europa, em que os membros da realeza costumavam oferecer pães aos pobres para que eles rezassem por seus entes queridos que haviam falecido.

Mas independentemente das suas origens, a tradição dos devoradores de pecados se iniciou no século 17, e de acordo com registros da época ela era bastante popular entre os moradores das ilhas britânicas. Bastava que alguém falecesse para que a sua família fizesse contato com alguém que se sujeitasse ao trabalho. Esta pessoa, então, recebia algumas moedas e era levada até o corpo, onde realizava o ritual.

É importante ressaltar que estamos falando de uma época em que a sociedade era extremamente religiosa, e a ideia de que seus entes queridos pudessem ser enviados ao inferno e não ao paraíso era suficiente para tirar o sono de qualquer um. Mas isso não significa que o trabalho realizado pelos devoradores de pecados fosse valorizado. Na verdade, depois de concluírem o serviço, eles eram literalmente chutados da casa, enquanto ouviam todos os tipos de insultos possíveis.

Quem, então, se sujeitava a ser um devorador de pecados?

Muito do que se sabe sobre essas pessoas é fruto dos relatos da escritora Catherine Sinclair, que visitou Monmouthshire, no País de Gales, durante o século 19. E de acordo com ela, os devoradores de pecados normalmente eram pessoas pobres, mendigos e alcoólatras, que fariam absolutamente qualquer coisa por uma refeição. O problema é que, em contrapartida, eles se transformavam em pessoas totalmente desprezíveis aos olhos da sociedade. Muito mais do que já eram.

“(O comedor de pecados) era totalmente detestado na sua vizinhança. Era considerado um mero pária – alguém irremediavelmente perdido”, versa um dos documentos da Cambrian Archaeological Association sobre o assunto, datado de 1852. Totalmente empobrecidos, e com a imagem de responsáveis por carregar o pecado dos outros, essas pessoas viviam totalmente sozinhas, e a vizinhança se negava até mesmo a olhar em seus olhos. Ainda pior do que isso, a igreja não apoiava este tipo de trabalho, e por isso também perseguia quem o colocava em prática.

Com o passar dos anos, e principalmente com o fim de algumas crenças limitantes acerca da religião, as pessoas pararam de acreditar neste tipo de ritual. Mas ainda assim, até os dias de hoje os devoradores de pecados são uma espécie de folclore na cultura britânica.


Com informações do All That’s Interesting.

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