Conheça a Gripe Espanhola: A maior pandemia de toda a história

Em 1918, 102 anos antes do atual surto de coronavírus, a humanidade começava a conhecer um outro vírus extremamente letal, que viria a vitimar algo em torno de 50 milhões de pessoas ao longo de todo o planeta. Estamos falando daquela que ficou conhecida como ‘Gripe Espanhola’.

Se no surto atual falamos em algo em torno de 3% de mortalidade, a gripe de 1918 beirava os 10%. A doença não respeitava limites de idade, histórico de saúde, nem qualquer parâmetro. Atingia a todos, e espalhava o terror por uma sociedade que estava saindo do pesadelo da Primeira Guerra Mundial.

Guerra esta, por sua vez, particularmente responsável por espalhar o vírus ao redor do mundo. Apesar de ter recebido o nome de “Gripe Espanhola”, o vírus não teve origem na Espanha. Estamos falando de uma cepa do vírus influenza que se manifestou em diversos lugares ao mesmo tempo (e até mesmo antes) que na Espanha, porém as autoridades espanholas foram as primeiras a falar abertamente sobre o problema.

Historiadores acreditam que as trincheiras onde viviam milhares de soldados nos frontes da Primeira Guerra Mundial, com suas condições precárias, tenham contribuído com uma queda drástica no sistema imunológico dos jovens que lutavam por seus países, levando a uma contaminação em massa. No verão (do hemisfério norte) de 1918, quando as tropas começaram a voltar para casa, muitos soldados acabaram levando o vírus para suas cidades, mesmo que não estivessem demonstrando sintomas claros da gripe.

De acordo com uma teoria veiculada pela National Geographic em 2014, assim como o novo coronavírus, o vírus responsável pela Gripe Espanhola pode ter começado na China. Isso porque cerca de 90 mil trabalhadores chineses foram transportados até o Canadá entre 1917 e 1918. Retirados de áreas rurais da China, estes trabalhadores passaram seis dias no continente norte-americano, antes de passar a atuar na França. O que faz levantar esta teoria é que cerca de 3 mil destes trabalhadores adoeceram no Canadá e precisaram ficar em quarentena. Há relatos, inclusive, de que os canadenses não levavam os sintomas a sério, acreditando que estavam lidando com algum tipo de “preguiça” por parte dos chineses, em um claro ato de xenofobia. Na França, muitos começaram a morrer.

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Com a doença se espalhando rapidamente para vários lugares, eventualmente ela acabou chegando na Espanha, uma nação que permaneceu neutra durante a Primeira Guerra Mundial. Lá, então, com a ausência de leis de censura, a imprensa começou a abordar o tema da gripe e a alarmar a população em geral. Como resultado disso, o mundo da época passou a acreditar que, por serem os primeiros a falar sobre ela, a gripe teria tido origem na própria Espanha.

De acordo com relatos da época, dentro de duas semanas após os primeiros registros da doença no país, mais de 100 mil pessoas infectaram-se em território espanhol. Aproximadamente 30-40% dos trabalhadores que atuavam em ambientes confinados, como escolas e quartéis, adoeceram tão logo a doença começou a se espalhar pelo país. Nem mesmo o Rei Afonso XIII conseguiu escapar da gripe.

Inicialmente, a gripe provocava sintomas como dores de cabeça, cansaço e uma tosse seca, que arranhava a garganta. Isso acabava por progedir para casos mais graves, com problemas no estômago, transpiração excessiva, comprometimento de órgãos respiratórios e pneumonia. A pneumonia, por sua vez, era o sintoma que mais vezes acaba por tirar a vida dos infectados. Isso, por sua vez, acabou por dificultar a compreensão (mesmo nos dias de hoje) de quantos realmente morreram por conta da Gripe Espanhola. Ainda que vários pacientes fossem diagnosticados com o vírus, muitos faleciam sem o diagnóstico. Pouco tempo depois, Canadá, Suécia, África do Sul, Reino Unido e Estados Unidos começaram a relatar mortos pela doença.

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Não demorou para que o pânico começasse a tomar conta da população em geral, e os médicos tentavam acalmar os ânimos passando uma série de instruções para o povo. De forma semelhante ao que vem acontecendo com o coronavírus, os médicos aconselhavam as pessoas a evitar lugares muito movimentados, cobrir o rosto e o nariz quando estivessem em público e, por algum motivo, evitar a aspirina. Apesar das recomendações da época, estudos modernos indicam que a utilização da aspirina poderia até mesmo ter ajudado a conter os sintomas em alguns pacientes.

Algumas pessoas também tentavam lucrar com a epidemia. É o caso, por exemplo, do “medicamento” chamado Formamint, um tipo de pastilha vendido por uma companhia especializada em vitaminas. Em junho de 1918, a companhia espalhou por Londres uma série de panfletos alertando para os sintomas da doença, ao mesmo tempo em que faziam propaganda de seus produtos, que eram vendidos como remédios capazes de frear o efeito devastador da gripe.

É difícil apontar, mesmo com o conhecimento que temos hoje em dia, quantas pessoas realmente foram afetadas pela doença na época. No entanto, as estimativas mais apoiadas dão conta de pelo menos 500 milhões de pessoas ao redor do mundo. Destas, cerca de 50 milhões acabaram por perder a vida.

Em seu livro, “American Pandemi: The Lost Worlds of the 1918 Influenza Epidemic”, a autora Nancy Bristow estima que o vírus tenha afetado cerca de 25% da população dos Estados Unidos. Entre os membros da marinha americana, de acordo com ela, este número chegou a 40%. Bristow afirma que a Gripe Espanhola tirou a vida de 675 mil estadunidenses, reduzindo a expectativa de vida no país em 12 anos.

Evidentemente, apesar de algumas semelhanças nos sintomas e na forma de contágio, é muito difícil traçar uma comparação entre esta epidemia e a que nos assola em 2020. Apenas para fins de comparação, a epidemia de 2009/2010, provocada pelo H1N1, provocou a morte de algo entre 151 mil e 575 mil pessoas no mundo inteiro. Nem perto dos números da Gripe Espanhola.

A Covid-19, por sua vez, tem 7,9 mil casos confirmados de morte até o momento (17 de março de 2020).

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1 comentário
  1. Planeta2 Diz

    Esse vírus mortal a Gripe veio da America Latina e Africa, onde esta o vírus mortal da Gripe , para os Brancos, que ate no brasil morrem e sofrem com esse vírus da Gripe.
    Na Europa a gripe sempre era fraca o organismo acostumado.
    Essa Gripe espanhola vem da America latina e Africa, perincipalmente do Brasil. Índios são portadores desse vírus.

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