Conheça a aeromoça que deu sua própria vida para salvar inúmeras vítimas de um ataque terrorista

Em um mundo onde a paz é cada vez mais um sonho distante e quase inalcançável, algumas pessoas se destacam pela forma como usam suas vidas em prol da humanidade, renovando nossas esperanças. E assim é a história de Neerja Bhanot, uma indiana que viveu apenas até os 22 anos, mas por conta de suas atitudes altruístas marcou para sempre a história da aviação, e se transformou em uma verdadeira super-heroína.

Nascida em setembro de 1963, em Chandigarh, na Índia, Neerja chamou a atenção desde muito nova pela sua beleza, que lhe rendeu em certo ponto da sua vida uma carreira como modelo. Infelizmente, por conta da sociedade retrógrada da época, precisou muito cedo enfrentar um casamento forçado e abusivo, arranjado por seus pais com um homem que haviam visto em um anúncio de jornal. Ao se confirmar que o interesse do rapaz estava apenas nos dotes de Neerja, ela voltou a morar com seus país, cerca de dois meses após o casamento.

Conheça a aeromoça que deu sua própria vida para salvar inúmeras vítimas de um ataque terrorista
Foto: Divulgação

Sua vida mudaria completamente, no entanto, em 1985, quando uma companhia indiana de aviação a contratou como comissária de bordo, enviando-a para um treinamento nos Estados Unidos. A partir de então, a garota passou a dividir seu tempo entre a carreira como modelo e como comissária. Infelizmente, sua vida não duraria muito tempo a partir deste ponto.

Em uma sexta-feira, dia 5 de setembro de 1986, apenas um ano depois de assumir o novo trabalho, Neerja Bhanot viu-se dentro de um avião, no Aeroporto Internacional de Karachi, ainda em solo indiano, que fora sequestrado por terroristas radicais da Palestina. A ideia dos criminosos era render a tripulação e fazer com que o avião, que deveria levantar voo para Frankfurt, na Alemanha, fosse direcionado até o Chipre, onde planejavam realizar um resgate a outros terroristas feitos prisioneiros.

Chefe de cabine naquela situação, Neerja Bhanot agiu de forma rápida e heroica ao pensar rapidamente e mobilizar uma fuga para toda a equipe da cabine, incluindo o comandante, copiloto e o engenheiro da aeronave. Desta forma, sem outros pilotos, o avião não poderia decolar. O que se sucedeu depois disso, no entanto, foi um verdadeiro pesadelo. Bhanot não escapou com o restante da tripulação, e ficou na aeronave para tentar salvar o máximo de passageiros que pudesse. Após a fuga da equipe, sucedeu-se um sequestro de 17 horas, que tirou a vida de mais de 40 passageiros.

Boeing 747-121 envolvido no sequestro em fotografia feito um ano antes do atentado
Boeing 747-121 envolvido no sequestro em fotografia feito um ano antes do atentado. Wikimedia

Mas o número de mortos poderia ter sido muito maior. Após 17 horas de um sequestro que claramente não estava indo bem para os criminosos, eles decidiram começar a disparar contra as vítimas, e acionar explosivos. Foi quando Neerja Bhanot começou a fazer de tudo para proteger e ajudar os passageiros a escapar pela porta principal da aeronave. Enquanto os criminosos disparavam contra tudo e contra todos, a indiana não se escondeu, e passou o tempo inteiro salvando o máximo possível de vidas.

De acordo com o que foi contado logo após o incidente, Neerja foi morta próxima a uma das saídas da aeronave, enquanto protegia um grupo de crianças, e as ajudava a fugir. Ela foi segurada por seu rabo de cavalo e alvejada por uma série de disparos, que infelizmente tiraram sua vida. De todos os 360 passageiros do voo Pan Am 73, 43 perderam suas vidas durante o sequestro, enquanto 120 ficaram feridos. Graças à ação de Neerja, que conseguiu libertar a equipe de tripulação e salvar incontáveis passageiros, a tragédia não fora ainda pior.

Foto: Divulgação

Postumamente, a garota indiana, que perdera tão cedo sua vida, recebeu inúmeras condecorações de coragem pelo governo da Índia, bem como o governo dos Estados Unidos. Sua história também é contada no filme “O Poder da Coragem”, originalmente intitulado “Neerja”.

Em um ato de bravura, Neerja deixou a sua própria salvação para depois, ajudando a libertar um grande número de inocentes. Entre eles, estava uma garota de sete anos de idade, que hoje em dia trabalha como capitã em uma empresa aérea. De acordo com uma reportagem que aborda esta história, a mulher, hoje com 41 anos, tem em Neerja a sua maior inspiração pessoal e profissional.

Que histórias e heroínas como essa nunca sejam esquecidas. O mundo precisa de mais mulheres assim!

você pode gostar também

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.