Como o homem que viveu dentro de um pulmão de ferro de 2m de altura por mais de 70 anos era capaz de fazer coisas cotidianas, como usar o banheiro

por Lucas Rabello
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Paul Alexander, que foi diagnosticado com poliomielite aos seis anos em 1952, passou mais de sete décadas vivendo dentro dos limites de um pulmão de aço, um ventilador de aproximadamente 2,13 metros essencial para sua sobrevivência. Apesar das severas limitações físicas impostas pelo dispositivo, Alexander teve uma vida notável, caracterizada pela resiliência e inovação. Ele faleceu em 11 de março, aos 78 anos, marcando o fim de uma era, pois acreditava-se ser a última pessoa vivendo em tal dispositivo.

Um pulmão de aço, por design, encapsula o corpo do usuário, variando a pressão do ar para imitar o processo natural de respiração quando os músculos necessários para essa função estão incapacitados. Essa tecnologia tornou-se sinônimo de tratamento da poliomielite, particularmente durante surtos, quando a doença estava no auge, dada sua propensão a induzir paralisia.

A narrativa da vida de Alexander não é apenas uma história de sobrevivência, mas também de adaptação e a busca pela normalidade em meio a circunstâncias extraordinárias. Os desafios diários que ele enfrentou, especialmente para realizar tarefas rotineiras como usar o banheiro, foram abordados por meio de uma combinação de engenhosidade pessoal e assistência externa. Em um vídeo compartilhado, Alexander, ao lado de sua cuidadora Patricia, lançou luz sobre a mecânica de tais atividades. Patricia detalhou o processo, observando: “Eu tenho que destrancar o pulmão de aço que ele usa e ele usa um urinol e uma comadre quando necessário. Assim como ele estaria se estivesse no hospital, mas ele está em sua casa, onde pertence.”

A determinação de Alexander em levar uma vida plena transcendeu os limites físicos do pulmão de aço. Suas conquistas incluem a autoria de um livro, façanha que ele realizou segurando um lápis com a boca. Seu espírito incansável o viu aprendendo uma nova técnica de respiração, permitindo-lhe um descanso temporário do dispositivo. Após um ano de prática dedicada, Alexander conseguiu passar até três minutos fora do ventilador, permitindo-lhe desfrutar de breves momentos em seu jardim e varanda.

Em 2020, Alexander publicou sua autobiografia, “Three Minutes for a Dog: My Life in an Iron Lung“, oferecendo uma visão profunda de sua jornada e as implicações mais amplas de viver com uma deficiência. Sua história não é apenas um relato pessoal, mas um testemunho da resiliência humana e da capacidade de se adaptar às circunstâncias mais desafiadoras da vida.

A vida e as experiências de Alexander, particularmente suas interações com sua cuidadora Patricia, sublinham a importância da compaixão, respeito e dignidade no cuidado. A declaração de Patricia, “Eu tenho muito orgulho do que faço pelo Paul, porque ele teve tantos que não cuidaram dele tão bem. Ele é apenas um homem incrível que merece o melhor e eu faço o meu melhor para ser o melhor. Ainda não recebi nenhuma reclamação”, reflete o respeito mútuo e o vínculo compartilhado entre cuidador e receptor de cuidados, uma dinâmica que impactou significativamente a qualidade de vida de Alexander.

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