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Cientistas podem agora apagar medos específicos de seu cérebro

O medo é uma emoção notoriamente difícil de superar, mas uma equipe de pesquisadores pode ter acabado de inventar o atalho perfeito para dominar o medo sem nunca ter que enfrentá-lo. Ao manipular a atividade cerebral de um grupo de participantes, os cientistas foram capazes de primeiro criar e, em seguida, apagar uma resposta de medo condicionado, sem a pessoa ao menos estar ciente do que estava acontecendo.

No momento, a única maneira segura de superar as fobias, ansiedades e trepidações é enfrentá-las de frente. No entanto, usando uma técnica chamada neurofeedback decodificado, os pesquisadores conseguiram contornar todo esse desagrado eliminando medos específicos usando o poder da neurociência.

Primeiramente inseriram uma resposta de medo condicionada em 17 voluntários, submetendo-os a “choques elétricos desconfortáveis, mas toleráveis”, sempre que viam uma imagem particular em uma tela. Usando a ressonância magnética funcional (fMRI), a equipe mediu a atividade cerebral dos participantes ao aprenderem a associar o estímulo visual ao medo de levarem choque.

Em particular, eles se concentraram em regiões cerebrais, como a amígdala e o córtex pré-frontal medial ventral, ambos envolvidos na codificação de memórias de medo. Para a revista Nature Human Behavior, os autores do estudo revelam como essa abordagem permitiu identificar os padrões específicos de atividade cerebral que correspondiam ao medo recentemente condicionado. Começaram, então, a tentar apagá-los, sobrescrevendo esses padrões neurais.

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Em uma declaração, o co-autor do estudo, Ben Seymour, explicou: “nós percebemos que mesmo quando os voluntários estavam simplesmente descansando, poderíamos ver breves momentos em que o padrão de atividade cerebral flutuante tinha características parciais da memória de medo específica, mesmo que os voluntários não estivessem conscientes disso. Como conseguimos decodificar rapidamente esses padrões cerebrais, decidimos dar aos participantes uma recompensa – uma pequena quantia de dinheiro – cada vez que nos deparávamos com esses recursos da memória “.

Todo o processo, portanto, ocorreu subconscientemente. Os padrões neurais que uma vez codificaram o medo logo se tornaram associados com a recompensa, enquanto os participantes permaneceram completamente inconscientes do que estava acontecendo dentro de suas cabeças.

“Na verdade, as características da memória que foram previamente ajustadas para prever o choque doloroso, agora estavam sendo reprogramadas para prever algo positivo em vez disso”, acrescenta co-pesquisador Ai Koizumi.

Os pesquisadores notaram que os estímulos visuais que haviam sido previamente associados com os choques elétricos, relacionados ao medo, não estavam mais presentes. “Isso significava que tínhamos sido capazes de reduzir a memória do medo sem que os voluntários conscientemente experimentassem a memória do medo no processo”, conclui Koizumi. [IFLScience]

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