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Cientistas fazem descoberta surpreendente em fóssil de dinossauro

Dez anos após a descoberta altamente controversa de tecido mole dentro de um osso de dinossauro de 68 milhões de anos de idade, os cientistas mais uma vez provaram que não devemos acabar com exceções às regras, tendo detectado o que poderia muito bem ser glóbulos vermelhos e pedaços de tecidos conjuntivos em fósseis de dinossauros mal-conservados.

Este achado raro e emocionante sugere que nossas ideias atuais sobre o processo de fossilização podem exigir uma re-avaliação e poderia indicar que há um tesouro de dados lá fora, que poderiam ter permanecido enterrado porque os cientistas assumiram que ele não existiria. Se esse for o caso, então a descoberta pode inaugurar uma nova era de investigação, o que poderia, em última análise, aumentar ainda mais nossa compreensão da biologia da espécie extinta. O estudo foi publicado na revista Nature Communications.

Quando os cientistas descobrem um fóssil, a grande maioria das vezes eles descobrem a parte mais rígida de um animal, tais como os componentes inorgânicos dos ossos que são compostos de vários sais minerais. Tecidos moles do organismo, como pele e vasos sanguíneos, geralmente não ficam bem preservados e, portanto, são normalmente ausentes em restos fossilizados. Isso ocorre porque as moléculas de proteína de que estas partes do corpo são compostas decaem relativamente rápido, com a ajuda de micróbios que gostam de consumir o material orgânico. Isto levou à hipótese de que partes de proteínas não duram por mais de 4 milhões de anos, e que a sua estrutura original fique perdida ao longo do tempo.

Mas essa ideia foi transformada em 2005, quando pesquisadores descobriram tecidos moles preservados dentro do osso da perna de um Tiranossauro rex. Embora os críticos inicialmente rejeitaram a descoberta e afirmaram que deve haver algo mais, os cientistas finalmente ganharam apoio para a sua conclusão inicial, sugerindo que a presença de tecido mole pode ser devida a preservação excepcional do espécime. A mais recente descoberta, no entanto, demonstra que essas condições ideais não são necessariamente necessárias para tais partes do corpo ficarem em fósseis por dezenas de milhões de anos.

O tecido foi detectado após pesquisadores do Imperial College de Londres analisarem oito fragmentos de fósseis de uma garra de dinossauro que estava alojada no Museu de História Natural por mais de um século. Mais importante, nenhum dos espécimes estava excepcionalmente preservada. Sua investigação envolveu o uso de vários métodos de análise diferentes, começando com um microscópio eletrônico de varredura. Bombardeando espécimes com um feixe de elétrons de alta energia torna possível revelar informações sobre a estrutura e composição da superfície.

Em seguida, eles usaram um feixe de íons preciso para cortar as amostras e obter um vislumbre da estrutura interna do fóssil. Finalmente, eles usaram um instrumento chamado espectrómetro de massa para identificar o tipo e concentração de moléculas presentes nas amostras, as quais foram, em seguida, comparadas com amostras tomadas a partir de um parente distante dos dinossauros: a ema.

Através destas técnicas, os pesquisadores descobriram estruturas ovais com um núcleo denso, que eles especulam que poderiam ser glóbulos vermelhos do sangue, embora eles alertam que mais pesquisas são necessárias para confirmar isto. Se eles estiverem corretos, este achado pode incentivar os cientistas a reanalisar outros espécimes, o que poderia potencialmente produzir mais glóbulos vermelhos, que de outra forma teriam passado despercebidos. E isso seria um grande negócio, pois pode permitir que os pesquisadores examinem como o metabolismo dos dinossauros evoluiu ao longo do tempo. [IFLScience]

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