Cientistas descobrem por que vaping é “mais perigoso que fumar”

por Lucas Rabello
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Um estudo recente realizado pela Manchester Metropolitan University, no Reino Unido, trouxe um alerta surpreendente: o uso de cigarros eletrônicos, conhecidos como vapes, pode representar riscos ainda maiores à saúde do que o tabagismo tradicional. A pesquisa, pioneira em analisar os efeitos do vaping na saúde vascular, revelou que o hábito de inalar vapor com nicotina está ligado a danos nas artérias e a problemas circulatórios, fatores que elevam o risco de doenças cardiovasculares e até mesmo demência.

Milhões de pessoas, especialmente nos Estados Unidos, adotaram o vaping como uma alternativa “mais segura” aos cigarros convencionais, muitas vezes na tentativa de reduzir ou abandonar o tabaco. No entanto, os resultados do estudo desafiam essa percepção. Os pesquisadores acompanharam voluntários com média de idade de 27 anos, todos com níveis similares de condicionamento físico, e observaram que tanto fumantes quanto usuários de vapes apresentaram paredes arteriais danificadas, incapazes de dilatar adequadamente. Essa disfunção vascular é um precursor conhecido de problemas como infartos e derrames.

Outra descoberta preocupante foi a redução no fluxo sanguíneo em ambos os grupos. A circulação comprometida não só aumenta o risco de eventos cardiovasculares, mas também pode prejudicar o cérebro, elevando as chances de desenvolver demência a longo prazo. De acordo com o Dr. Maxime Boidin, pesquisador envolvido no estudo, a nicotina presente nos vapes — mesmo em quantidades menores que nos cigarros tradicionais — tem potencial para elevar a pressão arterial, acelerar os batimentos cardíacos e causar inflamação nos vasos sanguíneos.

O estudo investigou o uso de cigarros eletrônicos (vaping).

O estudo investigou o uso de cigarros eletrônicos (vaping).

Um dos fatores que amplificam os riscos do vaping é a facilidade de uso. Enquanto um cigarro comum exige pausas para ser acendido novamente, os dispositivos eletrônicos permitem inalações contínuas, inclusive em ambientes onde o tabagismo é proibido. “É muito mais difícil controlar quantas tragadas foram dadas. O hábito se torna constante, e o corpo fica exposto por mais tempo a substâncias potencialmente nocivas”, explica Boidin. Além da nicotina, os líquidos dos vapes contêm uma mistura de metais e compostos químicos cujos efeitos a longo prazo ainda são desconhecidos.

Sintomas como tosse persistente, dor no peito e dificuldades respiratórias já foram relatados por médicos em pacientes que usam cigarros eletrônicos. Para os pesquisadores, esses são sinais precoces de que o vaping não é inofensivo. Apesar de reconhecerem que o dispositivo pode ser útil como ferramenta temporária para quem deseja parar de fumar, os especialistas alertam: seu uso prolongado parece ser tão prejudicial quanto o tabaco. “A única vantagem do vaping é ajudar na transição para abandonar o cigarro. Mas se a pessoa continuar usando o vape indefinidamente, os danos serão equivalentes”, afirma Boidin.

Diante da falta de dados sobre os impactos do vaping após décadas de uso, a recomendação é clara. Profissionais de saúde sugerem que os cigarros eletrônicos sejam prescritos por tempo limitado, sob supervisão médica, e não como substitutos permanentes. Enquanto isso, a ciência segue investigando como as substâncias inaladas nos vapes interagem com o corpo — e quais consequências podem surgir no futuro.

Para quem busca abandonar o tabagismo, a mensagem é de cautela: substituir um vício por outro, mesmo que aparentemente “menos pior”, não é uma solução sem riscos. E, no caso dos vapes, esses riscos estão se revelando mais sérios do que muitos imaginavam.

Fundador do portal Mistérios do Mundo (2011). Escritor de ciência, mas cobrindo uma ampla variedade de assuntos. Ganhou o prêmio influenciador digital na categoria curiosidades.

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